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viernes, 11 de diciembre de 2009

Quando eu era...

Ontem assisti um peça de teatro que me fez pensar em quem eu fui.
Petita feina per a pallasso vell conta a história de três palhaços que se encontram por responderem a um anuncio de trabalho solicitando um palhaço velho.
Juntos, na sala de espera, recordam os tempos que foram os reis do circo. Entretanto, a ansiedade por demonstrar sua superioridade para conseguir o que pode ser o último trabalho de suas vidas faz surgir a lado escuro de cada um, o conflito e a incoerência que habita em todo ser humano.
Por que lhes conto isso? Porque já fui palhaça.
Quando trabalhava como atriz tinha uma predileção pelo drama, mas sabia que um bom ator era aquele capaz de emocionar nas situações mais diversas. E lá fui eu me matricular em uma escola de clown. No começo lembro que foi difícil me despojar e me permitir ser uma nova eu. Pois é assim que se sente quando se descobre o palhaço que se leva dentro. É preciso nenhuma autocrítica e muito ridículo para rir de si mesmo, e poder fazer o outro rir da gague mais tonta.
Mas quando se descobre essa vertente, o mundo se amplia.
O meu mundo se expandiu. Descobri algo em mim que desconhecia e detalhes que estavam ali, mas eu fazia que não via. Foi preciso exacerbar as emoções, as caras, bocas e coração, e depois achar o tom certo. Quando se descobre o palhaço pessoal, o ser se torna mais completo e mais que tudo: há uma grande sensação de liberdade.
Gostei tanto de ser palhaça que levo na bagagem bons espetáculos em ruas, parques, festas infantis, circo e teatro.
E voltando ao teatro...
O espetáculo começou com momentos cômicos sutis, e na mágica hora que cada personagem se vestiu de palhaço e fez os números de circo, a platéia do íntimo auditório se multiplicou em risos que se emendavam em mais risos.
Por um momento não sabia se olhava o palco ou a platéia se deleitando com o espetáculo.
Que sensação boa rir e estar com gente rindo.
Sim, sei bem que tem muito palhaço sem graça por ai. Sempre gostei de circo, mas me lembro de algumas vezes que fui e a pior parte era quando entrava os palhaços. Também tive o prazer de ver a espetáculos que realmente o palhaço era a alegria do circo e o número mais esperado, em que não importa a idade que tenha ou o momento de sua vida, você ri e se sente criança.
E que sensação boa é se sentir criança quando se é adulto.
Sai do espetáculo de alma lavada, e ao mesmo tempo pensativa como só uma boa obra nos faz sentir.
Fiquei pensando no excelente texto (e absurdo!) do dramaturgo romano Matei Visniec, nos fantásticos palhaços Jordi Martínez (Filippo), Monti (Nicollo) y Claret Clown (Peppino), no respeito e admiração aos que se entregam a esse oficio e fiquei pensando se eu ainda era uma palhaça...