martes, 21 de diciembre de 2010

Brinde ao desejo - Feliz Natal e Próspero 2011

Eu não sei andar pela vida como quem não quer nada.
Eu quero muito!
Eu desejo tanto!!

Já quis para ontem e já quis no futuro, hoje o desejo é presente, mas não no presente, passado, futuro. Ele é atemporal. O desejo é brinde do viver.

É desejo que aprende a saber que se realizará no tempo que tiver que ser, e se tiver que ser.

O que muitas vezes gera um choque de tempos. Entre o tempo do desejo se realizar e o tempo de querer que ele se realize. Dar tudo para sua concretização e ainda sim, sentir que algo se perdeu no caminho, ou que eu perdi o caminho ou o caminho me perdeu.

Assim, surgem atalhos, desvios, novos caminhos e velhos caminhos que voltam a se cruzar. Surgem novas coisas que desejam ser encontradas, novas pessoas a transitar, passar ou ficar. Já as pessoas e lugares de sempre podem ganhar resignificações. Algumas antigas memórias, lugares e pessoas nos fazem sentir que valem a pena serem resgatadas.

Por isso, cada ano que chega é um ano de recarregar energias para dar forças aos desejos, sejam eles velhos ou novos. Cada ano que passa é o balanço inevitável do que se concretizou, do que ficou pelo caminho, do que veio sem esperar, do que mudou, do que segue igual, do que nasceu, do que morreu, do que cresceu, do que ficou contido... mais que o balanço das conquistas e desventuras é o balanço da transformação.

A minha balança, mais um ano teve o saldo super azulzinho, bem positivo! Não pensando na relação do que desejei no começo do ano de 2010 e o que obtive, mas pensando na quantidade de coisas boas inesperadas que me transformaram. Algumas das quais foi difícil saber que eram boas. As passei sozinha, dançando, escrevendo e rezando. Outras compartilhei virtualmente e fisicamente das mais diversas maneiras, com pessoas que fizeram a diferença. Claro, que mais um ano teve aqueles que o contato não foi próximo, porém que já me fazem sentir bem, pelo simples fato de existirem e eu saber que uma hora a oportunidade surge, ou é criada e estamos próximos novamente.

Assim, minha felicidade por ser quem eu sou, por ter a família que tenho e os amigos que mantenho deve ser exposta, para que entedam o meu grande desejo de agradecê-los.

O desejo que não é apenas de felizes festas. É o desejo que sintam e estejam atentos durante todo ano aos sentimentos, sensações, pensamentos, sonhos e claro, aos desejos.
Atentos ao que foi, ao que vem, mas sobre tudo ao que É.
Que o Agora seja na maior parte do tempo doce, leve e colorido. Nem que que doce, às vezes seja agridoce, o leve se vá com o vento, e o colorido seja qualquer cor, ou mesmo sua ausência, mas que respeite o humor de cada dia e não se repita em dias que trazem outra cor.

Como o meu desejo a vocês é tudo de bom e o desejo de vocês deve ser o mesmo, desejamos para nós muito amor, saúde, paz, sabedoria, alegrias... Enfim, como diz Woody Allen em Whatever Works "`as vezes os clichês são a melhor forma de dizer as coisas".
Desta maneira, resumo meu desejo brindando com vocês o maior clichê de todos os desejos de fim de ano:

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!!!
HOHOHOHOHO

Beijos estalados e abraço apertado

Quel

@ComuniQuel

martes, 7 de diciembre de 2010

Dias




Tem dias que há tanto a dizer que as palavras não dão conta e o medo é de ruído.

Tem dias que quase nada precisa ser dito.

Tem dias que são silêncios.

E dos silêncios novos dias, diferentes e iguais nascem.

lunes, 29 de noviembre de 2010

Sentidos IV - memória






Falar da memória
é reverberar o passado
em ouvido/olvido presente
que conectam sentidos esquecidos.

domingo, 28 de noviembre de 2010

Itália: amores, filmes e viagens

Ai... ... (suspiros demorados)

Que mulher não gosta, em algum momento, de ver um bom filme romântico. Daqueles que fazem a gente não perder a fé no amor e no príncipe encantado. Naquele que prega que não existe idade para amar e que para viver um amor verdadeiro nunca é tarde. Pois é... tem muitos filmes assim. O último que me fez suspirar foi Cartas a Julieta. Um roteiro óbvio, mas ainda assim vale a pena, pois cumpre a missão de filme romântico de alimentar os sonhos de quem ainda não encontrou um grande amor, ou reforçar os ânimos de quem já vive esse regalo da vida.

O filme não é nenhuma releitura da famosa obra de Shakespeare, mas ele está presente e inspira momentos do filme. Para ver Romeo e Julieta no cinema a versão primorosa e bela de Franco Zeffirelli, 1968 ainda é a melhor recomendação. Para gostos mais modernos há o Romeo + Juliet, conhecido pelo participação de Leonardo Di Caprio, com uma linguagem mais urbana nos cenários, figurinos e trilha sonora, mas que matém o lirismo e romantismo do autor inglês. Ainda no âmbito audiovisual, para quem prefere uma visão alternativa e breve a sugestão é o vídeo clipe Romeo and Juliet, da banda britânica Dire Straits. Ou uma versão mais atual da canção com a interpretação do The Killers.

Voltando ao Cartas a Julieta, o melhor do filme para mim foi rever cenas que vivi na Verona de Julieta. Uma cidadezinha que tive o prazer de conhecer nessas minhas andanças por ai.

Fica a dica de filme romântico para um domingo à tarde ou outro momento de bobeira e a sugestão de viagem. Itália é linda mesmo. É tão obvio falar isso. E não é viagem só para comer, rezar ou amar. Eu fui sozinha e fui feliz. É viagem para aprender, para se perder, para consumir artes, beleza natural e arquitetônica, relaxar, festar, conhecer gente, ou caminhar sozinho. A famosa região da Toscana, já retratada lindamente em outro filme romântico Sob o Sol de Toscana é só um dos lugares imperdíveis para se passear. Claro que o roteiro de viagem precisa ter os lugares básicos e incríveis como Roma, Firenze e Veneza, mas quem for à Itália e gosta de praia, não pode deixar de conhecer a região de Cinque Terre, um charme!

Abaixo umas fotos de Verona e outros cantos da Itália para quem sabe, inspirarem vocês a ver algum filme ou viajar! Para quem acredita ou quer acreditar em amor único e verdadeiro então os filmes são uma boa pedida. Para quem acha que a vida é feita de vários amores, desamores, encontros e desencontros, e principalmente um constante auto-apaixonar-se, a melhor maneira de (se) amar é viajar.

Estátua de Julieta que está em sua na casa em Verona. Diz a lenda, que quem toca o busto direito da estátua terá sorte no amor. Eu transcendi a lenda e não quis só tocar, tive que beijar...

Cadeiras da casa de Julieta

O famoso balcão

Veneza

Cinque Terre - Patrimonio da Humanidade Unesco

Catedral de Milão


Pisa - Região Toscana
Firenze

Roma

Coliseu - Roma

Fotos: Raquel Gomes de Oliveira



miércoles, 24 de noviembre de 2010

Acontecer


Momento fazer acontecer:

Desejar intensamente alguma coisa,

Ter motivação que ebuliciona o que há dentro do peito,

Saber como fazer

(Às vezes, basta com intuir)

E confiar no que tiver que ser.



Raquel G. Oliveira

@ComuniQuel

lunes, 22 de noviembre de 2010

Labirinto de memórias

Palavras de outrem abrem a porta que me leva a um labirinto de memórias. Percorro por seus longos corredores sem saber onde vai dar... Tento um diálogo com o subconsciente:

O caminho se bifurca. Por qual dos dois caminhos seguir?

Qual dos três! Há sempre o caminho de volta.

Sempre?!

Perco-me no ir e vir de minhas lembranças e talvez o caminho de saída seja voltar ao antônimo da memória.

Qual o contrário de memória?

...

Ai... ... Esqueci


Imagem: Relativity ,1953. Em litografia. Do artista holandês Maurits Cornelis Escher, famoso pela sua capacidade de gerar imagens com impressionane efeito de ilusão de ótica, construções impossíveis que exploram o infinito e metamorfoses. Respeitando as regras geometricas do desenho e da perspectiva.

Encontro no labirinto da memória: Caravana da Ilusão, de Alcione Araújo.

Besitossss a quem passar por aqui

Quel

@ComuniQuel

martes, 16 de noviembre de 2010

Anedota de criança


Minha sobrinha Julia, de 4 anos, estava toda faceira na mesa do almoço contando aos convidados que furou a orelha e completando diz:
- Quem usa brinco é menina!
Então, seu tio lhe pergunta:
- Julia, você sabia que seu pai tem um furo na orelha e que já usou brinco?
Ela olha a orelha do pai e constata que tem um furinho. Fica pensativa, enquanto todos aguardam sua próxima reação.
Ela interrompe o silêncio e olhando bem para seu pai pergunta:
- Papai, quando você era criança, você era menina?

sábado, 6 de noviembre de 2010

Sentidos III - Silência


Do sem sentir ao sem sentido

há um sem fim

de nãos e sins.

R.G.


Pintura: Surrealista belga René Magrite, 1937.

martes, 2 de noviembre de 2010

Sentidos II - Sinestesia


Impressiono-me com o poder dos sentidos, com a força que exerce o despertar de desejos e repulsas. De aproximar, transformar ou afastar.
Da sensação a reflexão muda apenas o modo de processo. Emocional ou racional, às vezes não faz diferença para o resultado que é gerado.
O que fica é o que entra e quer estar. O que quer entrar e não é bem-vindo impregna para ser expelido. Sem juízo de valor, apenas a sensação que agrada ou desanima.
Sentidos que geram memória emotiva. Um olor remete a um lugar. Uma música a um momento. Um gosto a uma pessoa.
Sinestesia: a excitação dos sentidos.
Um roçar de pele e o espetáculo está feito. Toda cena é montada com luz, ação e a câmera é a vista, que expande qualquer sentido e traz todos eles a tona.
Uma imagem que remete a um cheiro, a um gosto, a um lugar, a sons, a toques, a coisas, a algo mais...
Pelos sentidos penso e me emociono, retenho e descarto.
Deleito-me ou desprezo.
Completo-me ou reparto.
Sou inteira sensação.

Raquel G. Oliveira

lunes, 1 de noviembre de 2010

Sentidos I - Autenticidade



Dizem que os olhos são a janela da alma...
A minha alma tem vários acessos: olhos, boca, ouvidos, narinas, poros
Sentidos que dão sentido ao existir e o transformam.


Raquel G. de Oliveira


"É só dos sentidos que procede toda a autenticidade,
toda a boa consciência,
toda a evidência da verdade."

Friedrich Nietzsche


Pintura: Gustav Klimt

Acaso



Me pierdo fácilmente,
pero el acaso siempre
me posibilita reencontrarme.
O encontrar algo mejor que yo.


Raquel G. Oliveira

jueves, 21 de octubre de 2010

Desvio de percurso

Quantas vezes não pegamos um desvio de percurso e ao caminhar por essa trilha, queremos apenas andar o necessário para voltar ao trajeto original, planejado para chegar ao destino almejado.

Porém, outras vezes, ao pegarmos algum desvio, nos surpreendemos com a beleza do caminho e por decisão racional ou emocional vamos permanecendo neste novo trajeto, observando os detalhes da paisagem e refletindo ou sentindo, se o tal desvio não devia se tornar o caminho principal.

Há aqueles que jamais pegam um desvio. Estes podem evitar ver seu plano alterado, e com isso evitam se sentirem perdidos e correr o risco de não alcançar a linha de chegada visualizada, mas também podem evitar descobrir que a vida é muito maior e melhor que nossos planos e devaneios.

Não há garantias. Um desvio pode ser o caminho mais rápido ou mais lento de se chegar a um objetivo. Pode ser o reforço do objetivo já traçado ou pode ser reconstrução total da meta pensada. E às vezes, o desvio não interfere no ponto final, mas apenas nos faz pensar mais na própria caminhada e esquecer um pouco do “para onde vou” e sentir mais o “onde estou”. Atentamente perceber se os passos dados, a respiração e as batidas do coração estão em paz, em harmonia com o ecossistema em volta. Certamente, um bom desvio, em alguns momentos, deve trazer algo de desritmia. É que sem emoção a razão é tão chata. O importante é encontrar o ponto de conforto quando se está em território desconhecido. E se você descobre esse ponto de paz, então não importa se você esta no desvio ou na estrada principal, você está no caminho certo.

Besitosss e boa caminhada a todos!

Quel

Raquel Gomes de Oliveira

@comuniquel


domingo, 10 de octubre de 2010

MultiComemorações 3.3

Sofrimento tem que ter data para acabar. Parece racional demais, e é, mas funciona. Afinal por mais que às vezes pareça que o coração vai para um lado, e a cabeça vai para outro, eles são parte do mesmo corpo.

Coloquei data para o fim do sofrimento. Sofrimento que é a maneira mais objetiva de se resumir àquela mistura que engloba, angustia, ansiedade, frustração, medo, saudade que machuca, paralisa. Sofrimento que nos faz pesado e com pouca agilidade para se movimentar, para seguir em frente.

Sou dançarina de (uni)versos. Dou piruetas entre meu mundo interno e o que está fora do meu centro, expandindo o movimento para muito além do que vejo e alcanço.

Para se dançar ao som do vento é preciso ser leve.

Por isso, meu aniversário, o marco do início de meu ano novo, é a data ideal para tomar aquele fôlego e transformar sofrimento em algo bom. É a oportunidade para dar chance mais uma vez para dançar ao som do vento, para acreditar que as coisas podem ser diferentes para melhor, que idade traz sabedoria, que o tempo é senhor das razões, que viver vale a pena quando se tem amigos, amores, bons projetos, se trilha o caminho do bem e da fé. Frases clichês que se tornam cada dia mais reais em minha vida.

Foi isso que aconteceu. Multicomemorei meu aniversário de várias maneiras.

Multicomemorações 3.3 que comecei celebrando em uma creche, com o carinho de crianças que são filhos de presidiários, banho de mar a tarde para limpar as energias e à noite salsa e janta mexicana com amadas amigas. Comemorações que seguiram no dia seguinte com entrada free para Mafaro, super show filme de André Abumjara, e festa com caruru em casa de meu amigo e também aniversariante Sivaldo.

Estive imensamente feliz, compartilhei fisicamente esses momentos com pessoas que há pouco tempo conheço, mas já significam tanto nesses apenas alguns meses de Bahia, e dividi virtualmente com um bando grande de amigos de todas as épocas, que vão (graças a Deus!) aumentando com o passar dos anos e fazendo a diferença, quando se é uma pessoa nômade como eu.

Só me resta agora agradecer. Agradecer todos os desafios, as conquistas, as mudanças, as pessoas e aos anos vividos. Agradecer até mesmo os momentos de sofrimentos que também fazem parte do que sou e me transformo. E desejar felicidades para todos nós!

Beijos, Besitosss, Petons

Quel

sábado, 2 de octubre de 2010

Semsentido

Falta-me o ar

Respiro fundo e ainda assim não consigo exalar uma quantidade suficiente para encher os pulmões

O ar está rarefeito e eu estou sob o efeito de uma tontura que me faz perder o eixo

A cabeça pesa, o corpo pesa e os olhos vê tudo desfocado

O corpo não encontra forças para permanecer ereto

Respiro fundo uma vez mais na esperança de tranquilizar a mente

Pois sei que o coração precisa mais do que ar para encontrar novamente seu ritmo

Na sua desritmia, por momentos, ele me aperta o peito fazendo com que falte espaço na caixa toráxica, e por momentos, ele o amplifica e eu já não estou segura que o meu coração permanece nesta parte corpórea

A garganta seca e meus olhos estão cada vez mais mareados

O que me da algo de conforto é pensar que não importa o tempo que este estado de torpes dure, passará

O que passa também é meu sono

Frito na cama sem conseguir achar uma posição em que meus músculos estejam menos tensos

Mais uma tentativa de respirar, dessa vez ainda mais profundamente, com toda a força e concentração que encontro neste momento em meu ser... ...o ar começa a trazer algum alento

Concentro-me cada vez mais nela, em seu ritmo, no ir e vir de meu ventre, em cada aspirada e espirada, sigo pirada

Paro de respirar e perco os segundos

Dessa vez me sinto melhor

Desisto de lutar contra o que seja

Já que não sei bem o que, ou quem é meu adversário.

Certamente sou eu mesma

O que me faz perceber o nonsense da situação

Na cena sem sentido que vivo

Sou um quase ontem e um talvez amanhã

Sendo que tudo o que quero (nesse exato momento)

É ser um simples hoje, sem passado, sem futuro, simplesmente sendosemsentir (tanto).

Raquel G. de Oliveira @ComuniQuel


Foto: Eu sentada no chão do Louvre, por Matheus de Moraes

Obs. É desabafo de fim de inferno astral. E sim Saly, eu acredito nessas "coisas"... rsrsrs :P

domingo, 12 de septiembre de 2010

O exercício da representação através da imagem

Esse final de semana revivi fortes emoções. É que há um ano atrás, justamente na primeira quinzena de setembro, quando eu também vivia um momento de inferno astral, eu dei uma entrevista a Lilian Ucker para o trabalho de investigação da tese de doutoramento dela, com o título: Transitos y (re)posiciones de identidad de estudiantes brasileños: una investigación desde la pedagogia internacional, dentro do programa de pós-graduação “Educación y Artes Visuales: un enfoque construccionista" na Universidade de Barcelona, sob a tutoria do professor Fernando Hernandez.

A tese dela gira em torno de histórias de vida de estudantes brasileiros que estão em Barcelona em processo de doutoramento (sou a unica dos 12 entrevistado que terminou o doutorado). Tem como objetivo analisar como os alunos se (re)posicionan frente às mudanças pessoais e profissionais durante seu processo de formação e mudança de país. É uma tentativa de abrir espaço para que os estudantes possam falar sobre seus processos de tomada de consciência, levar a um pensamento reflexivo através de suas histórias de vida, sua trajetória pessoal e profissional e assim compreender seu processo de formação identitaria. E a coleta de dados foi feita num primeiro momento através de entrevistas.

Imaginem, eu lendo o que eu falei há um ano atrás, quase 30 páginas sobre a minha vida, no período de 6 anos em Barcelona. Foi inevitável não chorar, não rir, não sentir que às vezes aquele passado já estava distante demais, e em outros momentos, presente demais, não sentir que aquelas reações eram tão minhas e ao mesmo tempo sentir que tudo aquilo parecia vivido por uma personagem que não era eu. Era a jovem protagonista em busca de conhecimento, fé, amor, de viagens, cultura, de um livro que eu estava lendo.

Na segunda parte da pesquisa de Lilian, ela me pergunta como eu me representaria através de imagens minha experiência vivida em Barcelona. Claro que são várias as imagens que me representam numa experiência como essa, longa e diversificada, que preferi escolher apenas uma imagem que representa como muitas vezes eu me sentia. Lógico que Lilian pede para eu explicar o porquê. E esta foto, com a explicação que eu compartilho com vocês.

Estou na rua mais conhecida e movimentada da cidade, Las Ramblas de Barcelona. Estou no centro da foto, que esta na rua que é o centro da cidade. Eu sou o meu centro em Barcelona. Uma rua que gosto muito de caminhar sozinha, com amigos ou para levar as pessoas que vem me visitar e conhecer a cidade. Uma rua que me encanta por sua diversidade, por ser cheia de artistas, flores, animais, lojas, comidas e gente, por estimular meus sentidos.

Estou no meio de uma multidão, mas estou só e bem. Todos a minha volta estão sem foco, eu focada. As pessoas usam roupas escuras e eu uso branco e cores. Sou unica. Sou uma parte que se destaca desse todo. Eu me visto com uma saia que comprei no Tibet e com uma blusa que era de uma amiga, e ela já não queria mais. Esse jeito de se vestir é tão meu.

A minha postura corporal também fala. Eu estou com o corpo querendo seguir a diante, mas levemente virado para trás. Olho para trás porque essa é minha referência, mas quero seguir em frente. E no final das Ramblas há o mar. Dessa imensidão que é o mar posso ir a qualquer lugar.

Essa foto foi tirada por Matheus que também representa muito do meu tempo em Barcelona. Ele atrás da câmera fotográfica também representa que apesar de eu, às vezes me sentir só, eu realmente no fundo não me sentia sozinha, eu sabia que não estava sozinha, que tinha sempre Alguém olhando por mim.

Ele ficou muito feliz que eu gostei desta foto, porque eu sou chata com foto. Ele precisava tirar várias para eu elogiar e gostar de alguma. E isso foi bom, porque ele adquiriu algo de técnica e sensibilidade para fotografar. Eu acho que a idéia da foto foi minha. Ele não se lembra de quem foi a idéia, mas se foi dele igualmente eu fico feliz. Porque eu adoro essa imagem e foi um exercício de auto conhecimento interessante descrever o que eu sinto através dela. Logo que Lilian propôs se definir através de uma foto eu pensei nesta.

Raquel focada numa Barcelona sem foco. Raquel no centro da rua que é o centro de Barcelona. O lugar mais conhecido da cidade é o lugar onde eu me (re)conheço.


1ª foto: Minha imagem refletida na obra de Salvador Dali, no Museu de Figueres. Por Luiz Valcazaras

2ª foto: Matheus H. de Moraes Aita

Besitosss a todos que passam por aqui.

Raquel G. Oliveira @ComuniQuel

lunes, 6 de septiembre de 2010

Da sensação do intenso e do efêmero


Pronto já foi. Um novo segundo se inicia sem eu ter me dado conta que vários já passaram.

E quando consciente fico quero congelar o tempo. Não! Quero apenas viver bem esse Agora.

O tempo lento é mais intenso? A intensidade se da pelo efêmero? E o veloz?

Gostaria que intensidade e velocidade não se relacionassem.

Intensidade é força e tempo é força... assim prestes a fazer aniversário em um mês os questionamentos de inferno astral invadem meu ser.

Quanto mais o tempo passa mais força deveria eu ter? E tenho?

Se intensidade é força e eu quero ser leve, então nunca poderei ser intensamente leve?

Intensidade é bom mais cansa!

Principalmente para algumas pessoas que convivem comigo. Talvez, nesse próximo meu ano, que pronto se inicia, deveria mudar, deixar de ser intensa para ser serena...

Não, não seria eu...

Hey, you!

¿Yo?

¡Sí!

Você não é balança?

Ham Ham

Então põe cada adjetivo, cada emoção num prato dessa balança e deixa o tempo passar e brincar de equilibrar.

Ok! Vale! Já sei.

Vou viver no intensamente agora, no serenamente sempre e quem sabe assim poderei ser mais forte nos anos que celebro.


Raquel G. Oliveira @ComuniQuel

martes, 24 de agosto de 2010

Ego como sintoma da contemporaneidade


Tenho pensado muito no meu ego. No assumidamente ególatra que sou. E no ego que ganha força em cada um com a Web 2.0, com os perfis em redes sociais e a exposição da individualidade.

Em 2004 com intuito de entender melhor a linguagem dos sites, aprendi a fazer página web e criei a minha. Mas sobre o que iria falar? Como iria chamá-la? Eu não sou uma expertise em nada, agora depois do doutorado posso até considerar que sim, mas naquele entonces eu estava no início da minha caminhada acadêmica e achava que com minha curta experiência eu pouco iria aportar se resolvesse ter um blog sobre novas tecnologias ou assuntos afins. O único tema que passava pela minha cabeça que eu poderia criar categorias e diferentes textos era a minha história. Como chamar então este espaço virtual? A palavra ComuniQuel veio a mente. Porque como comunicóloga poderia deixar meu gosto pela contação de história ainda mais amplo, podia falar sobre qualquer coisa ligada a comunicação e Raquel.

Simplesmente não conseguia pensar em outro nome, foi o primeiro e único nome que pensei. Que falta de imaginação! Que excesso de ego! Criei um site que mais parecia um blog. Foi bacana porque aprendi sobre linguagem HTML, mais logo percebi que não tinha muito sentido manter aquilo com formato de site e ainda ter custo.

Mais uma vez com o intuito de aprender sobre comunidades virtuais, pois tanto aprender sobre sites ou comunidade virtual era enriquecedor para a pesquisa do doutorado, entrei no Globoonlines (GO), uma comunidade de blogs do Globo Online (naquela época era este o nome do ciberjornal). Mantive com o mesmo nome o novo blog e um dos meus assuntos mais recorrentes era as muitas viagens que eu fazia. O ponto alto foi quando contei da minha travessia no Tibet durante umas duas semanas e a cada dia ganhava mais leitores para me acompanhar nessa aventura.

Depois o GO fechou e dessa experiência desenvolvi um gosto ainda maior por compartilhar minhas experiências, minhas histórias e aprendi sentindo como os ambientes virtuais podem gerar laços de amizade e de confiança (capital social). Havíamos feito um grupo de amigos que tinha blog no GO e agora se sentiam órfãos, foi então que resolvemos criar novos blogs independentes em outros espaços, porém conectados pela vontade de estar reunidos.

Assim é. Posso ficar sem escrever um tempo, e isso acontece mais frequente do que eu gostaria, mas sempre recebo a visita dos mesmos leitores-amigos da época do GO de 2006-2007, e claro novos leitores vão aparecendo.

Continuo escrevendo aqui sobre minhas vivencias pessoais, por mais que em vários momentos achasse que devia dar um ar mais profissional, mas não consigo. O ComuniQuel é isso, sou eu falando sobre mim e minhas coisas. Um diário digital (sem ter essa periodicidade).

Esse jeito de diário é o motivo da existência de muitos blogs, principalmente feminino. Mulher tem essa necessidade de falar e ser ouvida, de dividir mais, às vezes beirando a experiência adolescente de ter um diário, só que agora não tem a menor graça se ele não for público. Apesar de já estar quase com 33 anos sou assumidamente adolescente em alguns aspectos, na cor desse blog por exemplo.

O meu ego está por toda parte. No nome do blog, nos textos e na montagem de fotos da cabeceira. ComuniQuel ficou tão forte para mim que meu perfil do Twitter leva o mesmo nome e acabei usando o mesmo nome no perfil do novo blog, o sério, o de docente da disciplina da Póscom.

Semana passada, na comemoração dos 20 anos do programa de pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da UFBA, assisti a conferência “Logos sensorial: tempo e sensação na contemporaneidade”, pelo Doutor em semiótica Julio Pinto, que disse muito sobre o ego como uma sintoma da contemporaneidade, da relação do EU com o tempo Presente e as sensações. Tema também de outros posts por aqui. Ai me senti aliviada. Pode não ser bom, ou pode que seja, ou como tudo, tem aspectos positivos e negativos, mas esse meu ego é algo compartilhado por outros egos contemporâneos.

martes, 17 de agosto de 2010

Salvador e meus blogs


Daqui alguns dias faz 6 meses que vivo em Salvador e desse tempo acabei dividindo muito pouco aqui no ComuniQuel. Não foi por falta de assunto, porque esse meio ano para mim foi repleto de acontecimentos, acho que foi até pela quantidade de histórias, emoções e novidades que eu não consegui me organizar para continuar escrevendo com a frequência que gostaria, e ai incluo comentários e visitas nos blogs dos amigos.
Muitas vezes eu vivia ou revivia uma história e mentalmente falava, tenho que escrever isso no blog. Viajei para Vitória e Maceió para prestar dois concursos em Universidades Federais, que felizmente fui aprovada, passei a copa inteira querendo escrever e dividir as fotos sobre a viagem que fiz (em 2006) para África do Sul, quis compartilhar com vocês a festa do Mundial junto aos espanhóis, cheguei a precisar dividir as angustias de voltar a viver no Brasil e sentir o choque cultural por estar na Bahia, e viver as maravilhas culturais por estar na Bahia. Mas acabei não escrevendo nada disso, talvez tenha simplesmente perdido o momento desses pensamentos, sentimento e acontecimentos, ou talvez uma hora dessas ainda escrevo sobre momentos que passaram, mas que sinto que valem a pena ser compartilhados.

Estou em Salvador para um pós doutorado na UFBA no grupo de pesquisa de Comunicação, Internet e Democracia. E a partir de amanhã compartilho a docência da disciplina "Alternativas Contemporâneas em Comunicação e Cultura – Apropriação social das tecnologias digitais de Comunicação: dimensões políticas", no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom-UFBa).
Eu e SivaldoPereira (o outro pós doc, docente) vamos estar coordenando também o blog da disciplina http://alternativasposcom.wordpress.com/ . Por enquanto o blog está só começando mas em breve pretendemos fazer dele um ponto virtual de discussão sobre novas tecnologias, internet, política e outros temas afins e também um lugar onde se pode encontrar referencias bibliográficas, pesquisa, dicas, eventos e outros assuntos que forem surgindo.

Agora fico aqui na torcida para que blog e disciplina tenham êxito e que eu possa me organizar, neste meu segundo semestre de Bahia e voltar a estar mais presente na blogosfera.

Besitosss
Quel

Foto:Yo mirando la "Bahia de todos os santos", Salvador -BA

miércoles, 28 de julio de 2010

Amigos - happy friend's day (delayed)

Estou de volta a Salvador depois de dias maravilhosos em São Paulo. Não fiz nada de extraordinário. Não fui a nenhuma grande exposição, não vi um filme ou uma peça de teatro que tenham me emocionado, não estive em nenhum mega evento e nem em um show com algum artista internacional. Opções de lazer que São Paulo é um dos melhores lugares para se viver. Não fiz nada disso, mas comi muito bem, em restaurantes e nos lares aconchegantes de alguns amigos e meus dias foram deliciosos porque a natureza me agraciou com dias ensolarados e quentes em que foi possível ver um céu azul anil durante o dia e um luar nas minhas noites de alegria. O bom tempo deu clima perfeito, contradizendo a meteorologia que dizia que a frente fria chegaria no final de semana. Mas a essência da felicidade desses dias foram as pessoas. Encontros e reencontros com velhos e novos amigos que me fazem sentir afortunada.
Abençoada por ter relações de amizades de tão longa data com pessoas que o tempo e a distância não transformam em ausência.
Feliz por sentir que mantenho laços antigos com a mesma facilidade que faço novos e que surpreendentemente os novos já parecem de tempos remotos, já se tornando parte da minha vida e do rol das pessoas que quero bem e quero estar. Não que eu faça amizade e seja amiga de "todo mundo", isso vale pouco na real. Mas gosto de cultivar e abrir os horizontes para pessoas que tem o que dizer e sabem escutar.

O tempo passou sem ansiedade, claro que gostaria de ter ficado mais dias e mais tempo com cada um dos amigos, mas o tempo foi intenso, verdadeiro e divertido.
Ah! quanta risada dei durante esses dias. Quantas histórias contei e ouvi. Quanta saudade matei para já voltar a sentir.
Não consegui estar com vários amados amigos, mas prometo, agora que deixei de ser catalana para ser baianinha, que irei mais vezes a São Paulo e que os amigos do Rio, Curitiba, Porto Alegre aguardem que qualquer hora também apareço por essas bandas.

Então esse texto é só para deixar registrado meu obrigada ao carinho de todos os amigos, os que encontrei e os que esse encontro está por acontecer. Aproveitando que dia 20 foi dia do amigo, e que todo dia é um bom dia para dizer as pessoas o quanto ela são importantes em nossa vida e deseja-las felicidades.
Besossss y abrazosss
Quel

jueves, 15 de julio de 2010

Tudo pode dar certo

Tenho estado atenta as minhas emoções e quando um sentimento de angustia, ansiedade e preocupação, que são todos facetas disfarçadas do medo, querem ganhar vida dentro de mi, eu simplesmente aborto.
Ultimamente vinha percebendo uma ponta de preocupação relacionada a um artigo que tenho que escrever. A princípio o tal trabalho tinha um prazo longo, parecia perfeitamente tranquilo desenvolve-lo naquele período, mas o tempo foi passando e eu tinha o tema do artigo, mas não encontrava o objeto de estudo que me despertava motivação em investigar e ai, o prazo agora ficou curto.
Ontem depois de muito navegar pela internet e pesquisar, me rendi a mais um dia sem encontrar o foco da pesquisa e uma vez mais senti a tal da preocupação e ansiedade dialogarem com o meu ego.
Sem censura disse a mim mesma que o melhor seria dormir, mentalizar positivo, e viver o poder do Agora, que naquele momento era um sono reparador.
Hoje pela manhã, em minhas visitas rotineiras as mídias sociais, encontro um link de meu interesse no twitter, que me leva a outro link e mais outro, e pimba! Lá estava a experiência que faltava para completar o que queria investigar e escrever.
E a partir daquele instante, uma sensação já conhecida estava (e esta) presente em mim. Tudo vai dar certo!
O que fez minha cabeça linkar outro pensamento, o novo filme do Woody Allen "Whatever Works", ou traduzido aqui no Brasil como "Tudo poder dar certo".
Desde que li a crônica de Martha Medeiros sobre o filme há alguns meses atrás fiquei com uma enorme vontade de assistir e há dias venho ensaiando pegar a matinê, porque aqui em Salvador só tem um cinema passando e no horário da tarde.
Os últimos filmes que vi de Woody Allen me agradaram justamente pela leveza, o humor e verborragia continuam presente, mas a filosofia é mais simples e não menos reflexiva.

Boris, o protagonista mal humorado da obra já avisa por onde o filme caminha com as frases no inicio: “As pessoas tornam a vida pior do que é preciso”, “Às vezes, os clichês são a melhor forma de dizer as coisas”. Mas a idéia do filme se completa com o que a Martha expõe em sua crônica, para ela Woody Allen se havia dado alta.
“Em seus filmes anteriores, mais ricos e consistentes em questionamentos existenciais, o diretor parecia dizer: “Não há cura”. Em sua resignada fase atual, ele parece dizer: “Não há doença”. O diretor está apenas confirmando que não temos nenhum domínio sobre os mistérios que nos rondam e sobre as experiências nunca testadas. Então, não importa o que façamos, o risco de dar certo é o mesmo de dar errado, e, até quando parece que dá errado, funciona. Qualquer coisa funciona".

E eu complemento as palavras de Martha. O deu errado, é um deu certo de outro modo. Whatever works!

Volto para minha rotina, de investigar e escrever, com a certeza que é besteira ter certezas, que o caminho certo, seja o do meu artigo ao qualquer outro é aquele em que eu me sinta bem.

Besos e axé!
Raquel

jueves, 24 de junio de 2010

O pôr do sol de São João


Os últimos anos eu passei a data do dia 23 (e sua véspera), curtindo "San Juan" em Barcelona. Uma festa de boas vindas ao verão, celebrada a beira do mar, com direito a fogos de artifício, fogueira, música e alegria. Uma festa para se viver entre amigos e que lembra demais o ano novo em nossas praias brasileiras. Cada ano, em seu dia de San Juan teve uma história, a melhor sem dúvida foi a vinda de Dali, meu gato, para casa, com apenas 2 meses de idade e assustadíssimo pela casa nova, gente estranha e os fogos que não cessavam de estourar nos céus da cidade. Porém a história de Dali merece um post a parte.


Foto do Dali no dia que chegou em casa

E o dia que vivo hoje já não é de San Juan é de São João da Bahia. São João no nordeste é coisa série. É feriado. A cidade de Salvador se esvazia para que o interior possa ganhar protagonismo em suas diferentes pequenas cidades cheias de gente de todo canto, que pega horas de congestionamento a fim de viver esse arraial, em que o calor e a alegria estão garantidos. E o tempo tem ajudado muito. Apesar de inverno, provavelmente está mais quente aqui do que no velho continente.

Eu fiquei na capital. Há uns 7 anos eu vivi um delicioso São João no interior na Bahia, já sei como é e preferi desfrutar de uma cidade tranquila e quase desabitada. Mas quem fica se encontra. A festa é certa no pelourinho ou em bairros como o Santo Antônio. Eu fui conferir e não me arrependi. Pude tomar licor de maracujá, comer milho, bolos e outras guloseimas características dessa festa.

Licor caseiro das mais variadas frutas

É uma festa para todos os públicos, que me fez lembrar em alguns aspectos as festas juninas da minha infância no interior de São Paulo. A diferença mais notável veio na hora da competição entre quadrilhas, a roupa dos concursantes e o modo de dançar lembravam mais a uma festa de carnaval. É a quadrilha na Bahia!

E as pessoas.. todos aqueles rostos negros, mulatos felizes me fizeram lembrar que estou num outro estado e me fez sentir num outro país. Lembro do carnaval que vivi em Cuba...


Agora o melhor do dia não foi a comida, a quadrilha, a música, as pessoas, o espetáculo feito por essa gente, mas foi o espetáculo da natureza. Que acontece todos os dias, em todos os lugares mas que raramente paramos para contemplar.


A vista da Bahía de Todos os Santos, desde cima do elevador Lacerda, com um pôr do sol de tirar o fôlego, me faz pensar que São João está feliz com as comemorações de Salvador e estou feliz por presenciar, registrar e compartir esse momento.



Para completar o dia, ou melhor a noite que surgia depois do pôr do sol, São João mandou a lua tão redonda e cheia de si, trazendo ainda mais beleza para essa festa.


Fotos: Raquel G. Oliveira
Para ver fotos de San Juan clique aqui


Feliz São João! ¡Feliz San Juan!
Beso e "xero"
Quel

viernes, 18 de junio de 2010

Dios es el silencio del universo y el hombre es el grito que da sentido a ese silencio

"Há momentos assim na vida: descobre-se inesperadameente que a perfeição existe, que é também ela uma pequena esfera que viaja no tempo, vazia, tranparente, luminosa, e que às vezes (raras vezes) vem na nossa direcção, rodeia-nos por breves instantes e continua para outras paragens e outras gentes."
In Manual de pintura e caligrafia, ed. caminho, 6ªed., p. 291

Não me sinto capaz de escrever sobre esse grande homem, mais por outro lado a vontade de dividir a tristeza e a imensa admiração é grande, por isso faço uso desse espaço e compartilho três links que me parecem ilustrador, importante e uma boa aportunidade de conhecer Saramago através da hipermídia.

O primeiro é um excelente texto do também admirável Humberto Eco, "Un bloguero llamado Saramago", prólogo da edição italiana do El Cuaderno, obra que recolhe os comentários que o Nobel português publicou em seu blog até março de 2009 (e agora é mantido pela fundação José Saramago).


O terceiro link é uma galeria de fotos sobre uma exposição feita sobre o autor.
Saramago,
A você sossego e a nós, só nos resta o desassossego. Descanse.
.....
E a vida segue... enquanto isso aqui na Bahia, Maria Bethania comemora 64 anos como "uma jovem senhora cheia de juventude". Parabéns e vida longa!
Besosss a todos
Raquel

domingo, 9 de mayo de 2010

Lembranças de vovó




Fecho os olhos e volto no tempo. Tenho 10 anos de idade. Estou brincando com outras crianças em uma rua de terra, em Lorena, uma cidade do interior de São Paulo. Minha vó grita e o cachorro late e sei que que é hora de entrar para almoçar. Não sem antes lavar as mãos e ajudar a colocar a mesa. Saboreio uma comidinha simples e deliciosa: arroz, feijão e bife acebolado feitos num fogão a lenha, e acho até gostoso salada de chicória temperada com limão. Não tem ninguém que faça uma salada de chicória igual a Vó Alzira. Depois do almoço escuto minha vó repetir o seu ditado preferido: “serviço de criança é pouco, mas quem perde é louco” e assim sei que tenho que ajudar a arrumar a cozinha. Assitimos juntas alguma novela do Vale a pena ver de novo, e lá vou eu novamente brincar na rua, jogar queimada com bola de meia, esconde esconde, pular corda, ver os meninos empinarem pipa ou sem que vovó saiba brincar de salada de frutas, em que o cardápio é beijo, abraço ou aperto de mão. A tarde passa rápido é hora do café passado no coador de pano, se tenho sorte será acompanhado de um bom pedaço de bombocado de fubá quentinho e se quiser tem também a melhor paçoquinha do mundo, feita num enorme pilão de madeira e acompanhada de banana.
Chegou as férias e posso ficar uma semana na casa de vovó, sem papai, mamãe e os meus irmãos. Vendo televisão na sua enorme e confortável cadeira de balanço. Brincando no quintal repleto de árvores e com uma banheira antiga, algo que sempre me pareceu surreal, por que uma banheira no quintal? Mas ao mesmo tempo muito legal, essa banheira se transformava em tantas coisas em minha imaginação, podia ser uma nave, uma cama, um caldeirão mágico e até uma banheira. Brincar, brincar e brincar na rua cheia de crianças ou com meus primos que vejo tão pouco durante o ano. A noite sempre tem histórias no quartão de sua casa, ela me conta do tempo que era moça ou sobre as façanhas do meu vovô Silvio, um homem bom e corajoso que que se alistou aos 17 anos para servir o país numa Itália em tempos de guerra, ou alguma história da minha mãe ou de alguma outra tia. Histórias que nem me lembro mais, mas eram contadas por um senhora bonita, elegante e batalhadora que criou seis filhas e um filho com muita luta e dignidade e ajudou no que pode na criação dos netos.
Uma saudade profunda e dolorida faz com que me sinta feliz por ter essas imagens de minha infância e triste por não poder dizer mais a vovó o quanto a amava, o quanto a achava bela e fui feliz em sua casa.


Depois de uma semana difícil, numa cidade em que não conhecia nada, nem ninguém, prestando um concurso em que utilizei todas as minhas forças e coloquei toda a minha fé, uma experiência válida, por me mostrar o quanto sou capaz, e ao mesmo tempo injusta, porque não adiantava quanto esforço eu colocasse, o concurso já tinha a sua única vaga reservada para uma candidata específico, estava eu exausta no aeroporto esperando o voo que estava atrasado para voltar a Salvador. Resolvo dar uma olhada rápida na internet e vejo que uma prima minha coloca em seu orkut, “Luto. Saudades, te amarei para sempre” abaixo da foto de minha vózinha. Fico sem entender por alguns segundos até que a ficha cai. Minha avó morreu. Ligo correndo para minha mãe que não está em casa, pois tinha viajado para ir ao velório. Fico perplexa e não consigo me conter e sozinha desabo a chorar compulsivamente naquele saguão de aeroporto. Alguém vem e me oferece um copo de água. O embarque se inicia, levanto e sem perceber deixo cair meu RG no chão. Alguém me devolve. O voo estava cheio, e tive que viajar ao lado de um cara que não parava de falar, quando tudo que eu precisava era de silêncio, era que me deixassem chorar em paz.

Em Salvador, consigo falar com minha mãe que me explica que não havia me dito nada, pois eu estava no meio de um concurso de vários dias e a noticias iria me desestabilizar. Eu a entendo, mas sofro por não haver estado presente nesse ritual de despedida. Ela me acalma e diz que foi lindo, que todos os filhos estavam presentes e alguns netos e bisnetos e que teve choro, risos e cantoria. Ela me conta que o velório foi emocionante, e que a atmosfera foi de muita paz. Tranquilizo-me, mas ainda sinto por haver perdido esse momento.

Ela me conta que em seu retorno, de madrugada, um caminhão bate na traseira do carro em que estavam, e que o carro saiu da pista, ficou bem amassado, mas que eles não sofreram nenhum arranhão. Agradeço imensamente a Deus por ter poupado meus pais, pois posso lidar, não sem dor, com a passagem da minha avó, mas não estou preparada para perder meus pais. E possivelmente nunca estarei.

Vivo dias difíceis, mas surge uma brecha no trabalho e não penso duas vezes, de um dia para outro estou voando seis horas para passar o dia das mães com minha mainha.

Hoje estou em paz, feliz, realmente feliz por estar ao lado dela, de podermos viver esse luto juntas, de compartilharmos a lembrança e o amor que sentíamos por nossa amada Alzira Camoezi Gomes.

Agradeço a vovó por ter me dado uma mãe tão fantástica e agradeço a minha mãezinha pela oportunidade de ter convivido com uma avó que mesmo morando longe, durante toda minha vida sempre esteve presente.

Desejo que todas as filhas/os possam curtir imensamente suas mães e que todas as mamães possam curtir imensamente seus filhos, fisicamente ou na lembrança e que Deus abençoe muito essa relação tão divina que é ser mãe e ser filha/o.

Felicidade, paz e amor a todos que aqui passarem.
Besosss
Quel

jueves, 6 de mayo de 2010

O livro de sua vida - Dançando para aprender a viver


Dançando ela pensa em escrever um livro. Na verdade ela já pensou várias vezes. Já pensou em livro acadêmico, de viagem, de fotos, mas ela acha que o melhor mesmo seria um livro da sua vida. Ela poderia sentar e começar escrever agora mesmo. Afinal histórias para contar não lhe faltam. Imagens de um filme bem acelerado passam em sua mente.
Quantas histórias na mesma história. Histórias que se fecham e voltam a se abrir. Histórias com começo estranho e final bacana. Histórias que eram conto de fadas, virou filme de terror, e depois animação em 3D.
Histórias de suspense, de superação, e claro muito romance! Porque se tem um coisa que ela não desiste é do amor.
Ai quantos amores e desabores essas menina-mulher já teve.
Podia estar casada, separada, viúva e com filhos. Mas não, ela está solteira e se sente bem, se sente livre, jovem e também madura.
Está com toda vontade de arriscar, seja num novo romance, numa nova cidade e num trabalho diferente, ou seja ficando só, na mesma cidade e com a mesma atividade.
Ela quer arriscar querer e conseguir mais, de tudo! Alias, isso para ela nem é arriscar, é seu estado de espírito natural. A diferença de agora é que ela se arrisca com o mesmo peito aberto, mas qualquer imprevisto, ou surpresa, ela tem um plano B, ela aprende a lição mais rápido e continua em frente.
Claro que ela olha para trás, na verdade ela faz isso bem frequentemente, porém só como ponto de referência para o momento atual e para melhor seguir fazendo planos e alcançando metas.
Acho que ela herdou isso do pai, da profissão dele. Profissionalmente, ela acabou tomando um rumo bem diferente do seu progenitor, mas leva muito dele em suas atitudes.
E o que falar do que ela traz da mãe. Caramba, elas são uma em duas, ou duas em uma? Vou usar uma metáfora literalmente bem pobre e infantil. Sabe aquele chiclete ping pong 2X1 (nem sei se existe mais, há tempos só masco chiclete sem açúcar) - Dois sabores no mesmo chiclete. Tipo morango banana, melão com laranja, marshmallow e Coca Cola... quando você coloca na boca da para sentir os dois sabores e conforme você vai mastigando os gostos vão se misturando. Assim, é ela e su mamazita, com a vantagem, que diferente do chiclete, elas não perdem o gosto quando o tempo passa.
Ela ainda leva atitudes que foi colhendo ao longo da vida, com seus irmãos, amigos, mestres e aquelas pessoas estrategicamente colocadas no universo e com aquelas que ela nem se da conta, características de suas personagens favoritas e de gente anônima do dia a dia.
Mas voltando a pensar no pensamento dela, ela divaga em como poderia começar seu livro, há tantas maneiras...
Em que momento da história ela começaria a narrar? Começaria com o momento presente ou com o passado?
Nada muito certinho, agora não se usa mais narrativa linear, nada contra, acho que tanto em roteiro de filme, como em enredo de um bom livro, o clássico, começar pelo começo, o meio é onde o conflito é gerado e o final é o desfecho, nunca vai ficar fora de moda, quando se tem uma boa história nessa estrutura e bons personagens. Porém muito provavelmente, ela vai vai narrar de maneira mais desconstruida, porque é assim que as imagens de sua história vão aparecendo em sua cabeça e o leitor com sua subjetividade interpreta como quiser ou conseguir. Desculpe o óbvio, mas a história de alguém não começa no dia em que ela nasce e não termina no dia que ela morre.
Bom, o livro ainda não vai sair, porque antes de apresentar o quebra cabeça para vocês, ela precisa resolver algumas questões, encaixar algumas peças, jogar mais de aprender a viver.
No caso dela, acho que me expressaria melhor dizendo:
Ela vai continuar dançando para aprender a viver e contar.

jueves, 15 de abril de 2010

Esse papel não me pertence



Como muitos sabem já fui atriz de profissão, alguns dizem que sempre serei, é só eu querer que poderia voltar à ativa. Pode ser. Mas a verdade é que todos somos atores em nossas próprias vidas, vivendo diferentes personagens conforme a situação nos pede.

Repetindo o mesmo texto batido em tantos discursos que, às vezes já nem sabemos mais se acreditamos naquilo. Mudando o texto quando é conveniente e preciso, ou improvisando quando não há outra saída.

Trocando de figurino quando já está apertado, velho, desgastado, ou simplesmente não é o traje adequado para o papel, a cena ou o cenário.

Usamos máscaras quando não conseguimos expressar o que sentimos, ou não estamos seguros poder transmitir. Usamos para exagerar os sentimentos e ganharmos visibilidade, ou quantas vezes não as usamos para esconder aquilo que não desejamos revelar, para sentirmos protegidos.

Somos filhos, pais, amigos, namorado, marido, chefes, empregados, estudantes, submissos, autoritários, desocupados ou worlkaholic, diversos papéis que o mesmo ator representa, ou vive, se a palavra representar parecer inadequada.

Em todos os papéis podemos ser também diretores da cena, ou marionete da execução. Ás vezes decidimos conscientemente, outras vezes o destino, a vida decide por nós.
Entretanto, tem um papel que, nem sendo profissional ou amadora, nem decidido ou imposto eu nunca gostei de atuar. O de vítima. Ô papelzinho chato, desqualificado e comum. Sempre tem alguém perto da gente que adora esse papel, que o faz com maestria, mas que nem assim me da inveja.

Claro, reclamo da vida, me queixo do mundo, me revolto com as injustiças sociais e políticas, me decepciono com a atitude alheia, e me frustro com meu próprio comportamento. Sou humana, sou normal (não muito de perto), sou emocional e é inevitável não fazer o papel de vítima hora ou outra. Mas venhamos e convenhamos, quando podemos escolher onde queremos encenar, com quem queremos contracenar, quem será a nossa platéia, qual a emoção que rege a cena, qual o texto que vamos falar, tem tanto papel melhor para se viver.

Posso e sou vítima sim em alguns momentos, mas que sejam momentos breves e que eu logo perceba que há figurinos mais glamorosos, sexy, interessantes e inteligentes de se vestir. Tem tanto papel mais produtivo para mim e para sociedade, então prefiro viver o papel de guerreira, de aprendiz, de comunicadora, de mutante, de louca, de ambientalista, de viajante, de cidadã, de amante...

Amante do meu espetáculo diário, do espetáculo do outro, da arte, da vida, da natureza, do nascimento, do amadurecimento, da mudança, da prosperidade, da superação e da solidariedade.

Muita Merda!

Que abram as cortinas, quero pisar firme no palco, encarar meu público de frente, soltar o verbo, mexer o corpo, me emocionar, emocionar, pois há tempos já estou em cena.

Besosssss

Raquel G. Oliveira