sábado, 2 de octubre de 2010

Semsentido

Falta-me o ar

Respiro fundo e ainda assim não consigo exalar uma quantidade suficiente para encher os pulmões

O ar está rarefeito e eu estou sob o efeito de uma tontura que me faz perder o eixo

A cabeça pesa, o corpo pesa e os olhos vê tudo desfocado

O corpo não encontra forças para permanecer ereto

Respiro fundo uma vez mais na esperança de tranquilizar a mente

Pois sei que o coração precisa mais do que ar para encontrar novamente seu ritmo

Na sua desritmia, por momentos, ele me aperta o peito fazendo com que falte espaço na caixa toráxica, e por momentos, ele o amplifica e eu já não estou segura que o meu coração permanece nesta parte corpórea

A garganta seca e meus olhos estão cada vez mais mareados

O que me da algo de conforto é pensar que não importa o tempo que este estado de torpes dure, passará

O que passa também é meu sono

Frito na cama sem conseguir achar uma posição em que meus músculos estejam menos tensos

Mais uma tentativa de respirar, dessa vez ainda mais profundamente, com toda a força e concentração que encontro neste momento em meu ser... ...o ar começa a trazer algum alento

Concentro-me cada vez mais nela, em seu ritmo, no ir e vir de meu ventre, em cada aspirada e espirada, sigo pirada

Paro de respirar e perco os segundos

Dessa vez me sinto melhor

Desisto de lutar contra o que seja

Já que não sei bem o que, ou quem é meu adversário.

Certamente sou eu mesma

O que me faz perceber o nonsense da situação

Na cena sem sentido que vivo

Sou um quase ontem e um talvez amanhã

Sendo que tudo o que quero (nesse exato momento)

É ser um simples hoje, sem passado, sem futuro, simplesmente sendosemsentir (tanto).

Raquel G. de Oliveira @ComuniQuel


Foto: Eu sentada no chão do Louvre, por Matheus de Moraes

Obs. É desabafo de fim de inferno astral. E sim Saly, eu acredito nessas "coisas"... rsrsrs :P

4 comentarios:

Lau Milesi dijo...

Noooossa "sem sentido" fiquei agora, ao ler seu "brilhante" poema , dentro de uma belíssima prosa.
Ah...Quel agora estou entendendo o "porquê" daquele comentário...
Faz sentido, nesse caso.
Como também faz sentido as leoninas ficarem desse jeito quando chega o I.A. :)
Amei a foto do Louvre. Me deu um saudade... Você devia estar exausta. Como se anda lá, né Quel? Mas a foto está linda, parece uma tela. :)
Um beijo, linda PhD, e meus parabéns por passar com tanta verdade esses sentidos que nos atormentam vez em quando.

Djabal dijo...

Não existe uma receita. Você a descobrirá depois de passar por tudo isso.
Talvez alguma coisa como deixar de lado todas as expectativas auxilie.
A outra é escrever como você fez, com apuro, e descrevendo exatamente o seu, digamos, saldo contábil de sentimentos.
Aqui ficarão escritos e servirão para consulta futura, e boas risadas.
Sorrir é o terceiro e melhor remédio. Sorrir de dentro pra fora.
Saludos e besitos.

Salete Cardozo Cochinsky dijo...

Querida Quel
Uma forma poética de expressar um mal-estar que acomete a todos em algum momento ou outro da vida.
Escreves bem, portanto, tudo faz sentido, tem uma função, é um indicativo do que algo, do que um ontem, um agora e um amanhã existem para quele que sente, e principalmente escreve.
Saudades,
besitos y hasta pronto.
Desde Porto Alegre, extrema sur del Brasil
Saletita

Raquel dijo...

Lau que bom que gostou tanto e se identificou.
Realmente estava exausta quando tirei a foto, assim como estava exausta quando escrevi esse texto.

Beijos bem grande!!!!