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jueves, 3 de diciembre de 2009

Ressaca “cum laude”!

Foto: Manel Lopez diretor da Tese
José Manuel Perez Tornero presidente do tribunal
Raquel Gomes de Oliveira a mais nova doutora!
Josep Lluis Mico doutor y professor da Universidad Ramon Llull de Barcelona
Andreu Casero Ripollés doutor y professor da Universidad Jaume I de Castellón

Um dia antes, do tão esperado dia, me deu um “bajon”, como se diz aqui na Espanha. Fiquei borocoxo mesmo. Senti meu corpo dolorido, minha cabeça pesada, meu intestino acelerado, como estava tudo preparado me permiti ficar de “molho” e viver um dia de economizar energias. Sabia que no dia seguinte teria que ser forte, então me recolhi.
Antes de deitar, olhei o céu, como muitas noites faço, e uma lua cheia, brilhante me fez sentir mais tranquila. Dormi muito, para minha surpresa. Pensei que a última noite antes do grande dia seria de insônia, ou pelo menos mal dormida, como várias noites anteriores. Mas não. Dormi 10 horas seguidas de um sono reparador. E no dia D (de doutora mesmo) estava a mil. Um sol lindo me dava a energia que tanto necessitava. As horas passaram como minutos e logo chegou o grande momento.
Como sabia que era o espetáculo mais importante da minha vida, cuidei com carinho do figurino, da maquiagem e do penteado. Repassei o texto uma vez mais.
Na hora da atuação sou surpreendida que não teria 40 minutos para apresentar a tese, como é de costume, e sim 25 minutos. Com tal notícia começo a encenação, um pouco nervosa tenho que assumir, porém pouco a pouco a confiança vai tomando conta do meu ser e consigo sintetizar mais de 600 páginas de trabalho no tempo estabelecido. Ponto para mim!
Só que a grande prova ainda estava por vir. Os membros do tribunal fariam suas críticas e perguntas e eu teria todo o tempo que quisesse para a réplica. Fui anotando os vários pontos comentados por eles e os questionamentos que me lançavam. Depois, foi organizar o pensamento para conseguir ser mais clara o possível e mostrar que dominava o assunto.
Depois da minha réplica ainda tiveram novas perguntas e lá fui eu respirar fundo e encontrar forças para seguir explicando. Chegou um momento em que queria que tudo aquilo acabasse de uma vez. Sentia minha boca seca e as palavras em espanhol começaram a sumir do meu vocabulário.
Parecia que se davam por satisfeitos, falaram que foi um trabalho "titânico", que havia muitas teses dentro daquela tese, que a investigação despertava muitos questionamentos e discussão, o que era positivo, e que eu demonstrava que sabia muito mais do que havia escrito. Entretanto eu não estava satisfeita. Sabia que poderia seguir defendendo, e realmente é esta palavra, DEFENDENDO meu trabalho. Mas também sentia que minhas forças se estavam esgotando. Dei por encerrada minhas reflexões e eles também.
Era o momento da deliberação. Ficamos esperando do lado de fora, enquanto os membros do tribunal chegavam num acordo de como deveriam me qualificar. O tempo demorou a passar e finalmente nos chamaram novamente a sala, para dar o veredicto.
Todos de pé para o grande anuncio: “Doutora qualificada com excelente cum laude” . Escutei os aplausos e apesar de ter um sorriso imenso no rosto ainda não assimilava o que aquela frase queria dizer. O tempo parou, por alguns segundos não sabia como reagir. Fui então cumprimentar meu companheiro Matheus, que começou a chorar. Abracei meu diretor de tese, Manuel, que estava emocionadíssimo. Depois os membros do jurado e os amigos. Realmente foi uma emoção muito forte, ver meu esforço de tantos anos reconhecido. E não contive as lágrimas de alegria.
Sinceramente não esperava esta qualificação. Estava tranquila que tinha dado meu melhor, mas também sabia que havia pontos que necessitavam de aperfeiçoamentos... Obviamente a desejava, mas fui avisada de como estavam sendo rígidos para dar a nota máxima a uma tese de doutorado. Fiquei radiante, agradeci em pensamento a Deus, ao Espírito Santo, aos anjos e a Nossa Senhora, aos meus pais e a todos os demais, que sei que estiveram de longe rezando e torcendo por mim.
Ligar para minha casa no Brasil e contar a notícia aos meus pais foi outra grande emoção, ver a felicidade deles, faz valer a pena qualquer esforço.
Depois, proporcionei um jantar brasileiro, com direito a feijoada, picanha e caipirinha para aqueles que tinham me julgado. Foi realmente um jantar delicioso. Voltei como Doutora ao restaurante que havia trabalhado mais de um ano como “chica de la caipiriña” e fui recebida com muito carinho pelos colegas que continuavam trabalhando ali.
Voltei para casa zonza... de felicidade, de caipirinha, de cansaço. Hoje o dia está estranho. Um ciclo importantíssimo em minha vida se fechou. Estou curtindo um dia introspectivo, mas não de “bajon”, é de ressaca mesmo. Ressaca pela noite celebrada, pela tarde duramente vivida e pelos 6 anos de inacreditáveis experiências em uma terra estrangeira.
É ressaca, só que “cum laude”!

Obrigada a todos que me apoiaram durante todos esses anos!
Besitosss
Quel