jueves, 7 de julio de 2011

Alegre e jovem, a primeira vez em Salvador


É conhecimento geral que Salvador tem belos lugares e pessoas talentosas. Isso eu comprovei antes mesmo de vir morar aqui. Foram três vindas a capital baiana, anteriores a experiência atual de viver 1 ano e meio na cidade.

A primeira vez que vim à Salvador foi em 1999. Eu era uma, dos mais de 5 mil jovens da 1ª. Bienal de Arte e Cultura da UNE. Momento histórico para União Nacional do Estudantes e para a estória desta eterna estudante inquieta que lhes narra. Foi inusitado como tudo aconteceu. Sempre alimentei a vontade de conhecer a terra de artistas que admiro e fizeram parte da minha formação, dos meus gostos, pensamentos e desejos juvenis.

Um dia, minha irmã caçula me falou que havia se inscrito para participar de uma excursão para Salvador, para a Bienal da UNE, e que estava triste porque não poderia ir. As vagas para tal excursão haviam sido bem disputadas e ela teria que avisar que não compareceria para dar lugar a outra pessoa. Eu, mais que rapidamente, disse a ela que não falasse nada. Eu iria em seu lugar. Rafa argumentou que isso não era possível, que a oportunidade era destinada aos alunos da Universidade do Vale do Itajaí (Univale –SC) e eu era aluna da PUC-PR. Sentindo que aquela era a MINHA oportunidade e não a deixaria passar, implorei a minha maninha que não falasse nada. Seria Rafaela. Ela ainda replicou dizendo que era impossível.

- O pessoal me conhece e somos bem diferentes.

- Deixa comigo! Quero ver se eles vão ter coragem de me desmascarar.

Era um plano arriscado, mas eu não tinha nada a perder e com sorte muito a ganhar.

Na data determinada, viajei de Curitiba a Itajaí e fui, na hora marcada, me encontrar com o pessoal da excursão. Acomodei minha bagagem e aguardei. A coordenadora da excursão fez a chamada antes do ônibus partir, e ao dizer Rafaela Gomes de Oliveira, eu tranquilamente disse:

- Presente!

É... aquele tinha sido o presente da minha mana pra mim e o universo parecia não fazer nenhuma objeção. Senti que algumas pessoas me olharam, mas ninguém disse nada. Quando já estávamos na estrada um e outros vinham me dizer:

- Você não é a Rafaela.

- Claro que não. Sou a Raquel, a irmã da Rafaela. Ela infelizmente não pode vir.

Infelizmente para ela e felizmente para mim. Claro que isso eu não precisava nem dizer.

Foram dois dias e meio de viagem. Tomando banho em postos de gasolinas e socializando com a galera do ônibus, o que não foi nada difícil, pois inventávamos brincadeiras, jogos, comíamos, bebíamos, cantávamos e ainda teve aqueles que levaram violão e percussão. O difícil era dormir.

Ao chegar em Salvador fomos para UFBA, onde ficaríamos acampados em salas de aula. No mesmo instante decidi que eu queria era ficar em outro lugar. Fui sozinha me hospedar em um albergue no pelourinho.

Uma semana se passou enquanto eu me dividia entre discussões de interesses sociais e políticos para estudantes, eventos culturais da Bienal da UNE e os atrativos da cidade. As músicas de Caetano eram minhas guias urbanas. De busão e discman eu fui alegre e jovem para Itapuã e Abaeté, e tudo foi só beleza pura em Federação. Fiz trancinha no cabelo que batia na bunda e no pelourinho fui dançando, atrás de cada grupo de percussão que passava. Ah! também mandei vários cartões postais para amigos e familiares.

Momento mágico da viagem foi ter ido a Santo Amaro da Purificação conhecer Dona Canô, e ver no palco montado na praça do centro da cidade, o show com Caetano, Bethania e Gil. Estava realizando um desejo intenso, genuíno e inconsciente. Era como se eu estivesse no meu quarto, com 15 anos de idade, jogada entre almofadas, olhando fixo para o teto, ouvindo uma fita cassete gravada com todo esmero com a seleção das músicas dos cantores baianos que tanto gostava, e de repente, tivesse caido no sono e começado a sonhar com aquela viagem. Uma profusão de imagens minha pelos cantos de Salvador... depois eu, no meio da praça em Santo Amaro agradecendo mentalmente e cantando todas as letras das músicas daquele show inesquecível. Não era sonho. A bunda quadrada de uma viagem de ônibus de mais de 1800 km me trazia a real. Além de souvenirs, cartões, fotos e lembranças, também vinha comigo uma certeza, já que tão bem eu passei na Bahia era claro que um dia eu voltaria.

12 comentarios:

Daniele Barizon dijo...

Oi, Raquel! Quanto tempo! Bom te ver bem e fixa em Salvador, amo esse lugar!! Quanto às experiências no movimento estudantil que dizer? Tudo de bom!

Bjs!!

Salete Cardozo Cochinsky dijo...

Holla Quel
Tempos de aventura, divertimento e aprendizado.
Também para mim ficaram ótimas lembranças de excursões como estudante.
Somos curiosas e graças a isso a coragem desponta para enfrentar possíveis contratempos.
Mas ainda é tempo de fazer isso.
Beijos

Djabal dijo...

Seu texto me levou, deitado de olhos varados no teto, a voltar a ouvir o araçá azul . e viajar meus mil e oitocentos quilômetros sem sair do lugar e trocar a dona canô por uma paraense que me ofereceu um caldo de beterraba bem vermelho contrastando com o azu: e fiquei roxinho. muito gostoso de ler. besitos.

Nina Pilar dijo...

que luxo...
maravilha esta terra quente, cheia de santos e mares, que ate doi de tão bonitos.

belo texto.

bjos

e um lindissimo final de semana

Ricardo Calmon dijo...

QUEL:MEU ENDEREÇO ELETRONICO:
elfofo2008@gmail.com,amaria que voce me enviasse email seu,para fotos te mandar de um encontro internacional de amigos seus,bzuz

ricardo calmon
viver é pura magia

Sônia Simplesmente @SSBJornalista dijo...

Gostei do blog. Parabéns!

Raquel dijo...

Dani, não sabia que vc também amava a Bahia, mas apesar de todo amor que tenho por essa terra, sou elemento ar, é fixar é algo que ainda não conheço. Espero que em breve meu ascendente em Touro comece a ser mais atuante...hehehe
Qto as experiências com o movimento estudantil, o que dizer... HAHAHAHA!!!! Adoro!!!!
Beijossss

Raquel dijo...

Saletita, o epóca boa essa de estudante, verdade? Por isso creio que tardo tanto em sair dessa fase, e não sei nem se vou sair. Sou posdoc em ser aluna...hehehe.

Besitossss

Raquel dijo...

Ah... araça azul...
Que bom saber que meu texto te fez viajar. Não importa se é Bahia, Pará, viagem fisíca, mental, emocional ou digital, o importante e permitir o trânsito.

Besitossss

Raquel dijo...

Nina!

Se não me engano, vc é visita nova no ComuniQuel, verdade? Agradecida pela parada em meu porto e pelo comentário.

Volte sempre e seja sempre bem-vinda!

Beijosss

Raquel dijo...

Calmonzito, tô na loucura (boa) de mudança, em breve pretendo te escrever um email. Obrigada pela visita!

beijosss

Raquel dijo...

Sonia, que gostoso ver gente novo dialogando com o ComuniQuel. Fico feliz e agradecida em saber que gostou do blog. Volte sempre! Beijos