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miércoles, 18 de mayo de 2011

Yo Papallona

PASSA UMA BORBOLETA
(do "Guardador de Rebanhos" - Alberto Caeiro)

Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.

Ilustração: Julie Morstad



A vontade é de voar

Mas bem gritar com os braços

e agradecer em multiformas

Escrever

Chorar

Dançar

Rir

Cantar

Silenciar

Para sentir mais intima e profundamente o momento da magia, da transformação.


Das conexões que se estabelecem dos longínquos tempos sem sentido para o presente onde o sentido não faz falta. Tudo é compreensão pelos sentidos.


Apreensão do presente que é o presente que tudo cabe e para o todo se transtorna.


O futuro assim é a incerteza que tudo será ainda melhor.


Se é que isso é possível.



Petonets a tots, Raquel G. Oliveira



martes, 5 de abril de 2011

Da ausência e da vontade de dançar

Uma tristeza quis chegar porque ela se foi, mas ter estado com ela vale o princípio do sentimento estranho que a ausência dela deixou.

Logo, descubro a beleza da paz de estar só.

Inteira.

Sinto-me bela, alegre e uma antiga companheira volta com toda força:

A vontade de dançar!

E dança assim juntinha de mim, mexendo bem até coladinha ficar. Molhadinha!

A transpiração libera os poros para receber as boas vibrações que continuamente estão ai, e às vezes, simplesmente não deixamos entrar.

Não! Não basta deixar entrar.

Tem que permitir ficar, expandir, se transformar e transbordar... No que tiver que ser que o mestre tempo coreografar.

Que essa minha unidade que é impar se conecte ao coletivo de seres, situações, momentos, emoções, experiências únicas e se torne um todo muito maior que as somas das partes... O infinito vislumbrado em seu olhar, no meu olhar...

Assim, danço porque pequena sou.

Danço porque grande fico.

Danço porque conectada sinto.

Danço porque o instante existe, e como diz a poetisa, "minha vida está completa. Não sou alegre, nem sou triste". Sou contemplação intensa, atuação serena em movimento perpétuo que pode ter, por vezes, os pratos da balança desequilibrados, só para depois, centrada, ser Justamente encanto, endanço.

Sou feliz porque ela existe, e existindo, existo eu.

lunes, 21 de febrero de 2011

Fé no desconhecido

Sabe aquele papo que todo mundo já ouviu, seja num livro de auto-ajuda, algum mais espiritual ou em filosofia de botequim, que quando você está em sintonia com o universo as coisas acontecem. Provavelmente todo mundo já experimentou a sensação do universo conspirar a seu favor. Ouso mais! Quando se está em sintonia, atenta ao presente, você é capaz de sentir as coisas antes mesmo que elas aconteçam. E isso serve para qualquer área da vida. Das grandes, as pequeníssimas coisas.

Eu tenho me descoberto nessa sintonia. É sem dúvida nenhuma uma loucura! Porque mesmo os acontecimentos aparentemente desagradáveis, quando acontecem você não se abala, porque de alguma maneira você já tinha sentido o que iria passar.

Invade uma paz! A certeza que você está no caminho certo, mesmo quando o que sucede não é o que você desejou. Porque a experiência diz que algo melhor sempre vem pela frente. E vem! Mais uma vez, possivelmente não no tempo que você quer, nem do modo como havia idealizado, mas o desconhecido pode ser melhor que qualquer fantasia e imaginação. Ele é o campo, muitas vezes das potencialidades impensadas, mas sempre de alguma maneira, em algum nível sentidas.

A materialização do inconsciente é um exercício de auto-conhecimento e conexão com o todo. Ao nos permitirmos vibrar dessa maneira a corrente emanada só pode trazer o bem.

Minha fé é no desconhecido, nas manifestações fresquinhas que surgem a cada instante para quem se rende e se entrega.

domingo, 9 de mayo de 2010

Lembranças de vovó




Fecho os olhos e volto no tempo. Tenho 10 anos de idade. Estou brincando com outras crianças em uma rua de terra, em Lorena, uma cidade do interior de São Paulo. Minha vó grita e o cachorro late e sei que que é hora de entrar para almoçar. Não sem antes lavar as mãos e ajudar a colocar a mesa. Saboreio uma comidinha simples e deliciosa: arroz, feijão e bife acebolado feitos num fogão a lenha, e acho até gostoso salada de chicória temperada com limão. Não tem ninguém que faça uma salada de chicória igual a Vó Alzira. Depois do almoço escuto minha vó repetir o seu ditado preferido: “serviço de criança é pouco, mas quem perde é louco” e assim sei que tenho que ajudar a arrumar a cozinha. Assitimos juntas alguma novela do Vale a pena ver de novo, e lá vou eu novamente brincar na rua, jogar queimada com bola de meia, esconde esconde, pular corda, ver os meninos empinarem pipa ou sem que vovó saiba brincar de salada de frutas, em que o cardápio é beijo, abraço ou aperto de mão. A tarde passa rápido é hora do café passado no coador de pano, se tenho sorte será acompanhado de um bom pedaço de bombocado de fubá quentinho e se quiser tem também a melhor paçoquinha do mundo, feita num enorme pilão de madeira e acompanhada de banana.
Chegou as férias e posso ficar uma semana na casa de vovó, sem papai, mamãe e os meus irmãos. Vendo televisão na sua enorme e confortável cadeira de balanço. Brincando no quintal repleto de árvores e com uma banheira antiga, algo que sempre me pareceu surreal, por que uma banheira no quintal? Mas ao mesmo tempo muito legal, essa banheira se transformava em tantas coisas em minha imaginação, podia ser uma nave, uma cama, um caldeirão mágico e até uma banheira. Brincar, brincar e brincar na rua cheia de crianças ou com meus primos que vejo tão pouco durante o ano. A noite sempre tem histórias no quartão de sua casa, ela me conta do tempo que era moça ou sobre as façanhas do meu vovô Silvio, um homem bom e corajoso que que se alistou aos 17 anos para servir o país numa Itália em tempos de guerra, ou alguma história da minha mãe ou de alguma outra tia. Histórias que nem me lembro mais, mas eram contadas por um senhora bonita, elegante e batalhadora que criou seis filhas e um filho com muita luta e dignidade e ajudou no que pode na criação dos netos.
Uma saudade profunda e dolorida faz com que me sinta feliz por ter essas imagens de minha infância e triste por não poder dizer mais a vovó o quanto a amava, o quanto a achava bela e fui feliz em sua casa.


Depois de uma semana difícil, numa cidade em que não conhecia nada, nem ninguém, prestando um concurso em que utilizei todas as minhas forças e coloquei toda a minha fé, uma experiência válida, por me mostrar o quanto sou capaz, e ao mesmo tempo injusta, porque não adiantava quanto esforço eu colocasse, o concurso já tinha a sua única vaga reservada para uma candidata específico, estava eu exausta no aeroporto esperando o voo que estava atrasado para voltar a Salvador. Resolvo dar uma olhada rápida na internet e vejo que uma prima minha coloca em seu orkut, “Luto. Saudades, te amarei para sempre” abaixo da foto de minha vózinha. Fico sem entender por alguns segundos até que a ficha cai. Minha avó morreu. Ligo correndo para minha mãe que não está em casa, pois tinha viajado para ir ao velório. Fico perplexa e não consigo me conter e sozinha desabo a chorar compulsivamente naquele saguão de aeroporto. Alguém vem e me oferece um copo de água. O embarque se inicia, levanto e sem perceber deixo cair meu RG no chão. Alguém me devolve. O voo estava cheio, e tive que viajar ao lado de um cara que não parava de falar, quando tudo que eu precisava era de silêncio, era que me deixassem chorar em paz.

Em Salvador, consigo falar com minha mãe que me explica que não havia me dito nada, pois eu estava no meio de um concurso de vários dias e a noticias iria me desestabilizar. Eu a entendo, mas sofro por não haver estado presente nesse ritual de despedida. Ela me acalma e diz que foi lindo, que todos os filhos estavam presentes e alguns netos e bisnetos e que teve choro, risos e cantoria. Ela me conta que o velório foi emocionante, e que a atmosfera foi de muita paz. Tranquilizo-me, mas ainda sinto por haver perdido esse momento.

Ela me conta que em seu retorno, de madrugada, um caminhão bate na traseira do carro em que estavam, e que o carro saiu da pista, ficou bem amassado, mas que eles não sofreram nenhum arranhão. Agradeço imensamente a Deus por ter poupado meus pais, pois posso lidar, não sem dor, com a passagem da minha avó, mas não estou preparada para perder meus pais. E possivelmente nunca estarei.

Vivo dias difíceis, mas surge uma brecha no trabalho e não penso duas vezes, de um dia para outro estou voando seis horas para passar o dia das mães com minha mainha.

Hoje estou em paz, feliz, realmente feliz por estar ao lado dela, de podermos viver esse luto juntas, de compartilharmos a lembrança e o amor que sentíamos por nossa amada Alzira Camoezi Gomes.

Agradeço a vovó por ter me dado uma mãe tão fantástica e agradeço a minha mãezinha pela oportunidade de ter convivido com uma avó que mesmo morando longe, durante toda minha vida sempre esteve presente.

Desejo que todas as filhas/os possam curtir imensamente suas mães e que todas as mamães possam curtir imensamente seus filhos, fisicamente ou na lembrança e que Deus abençoe muito essa relação tão divina que é ser mãe e ser filha/o.

Felicidade, paz e amor a todos que aqui passarem.
Besosss
Quel

jueves, 6 de mayo de 2010

O livro de sua vida - Dançando para aprender a viver


Dançando ela pensa em escrever um livro. Na verdade ela já pensou várias vezes. Já pensou em livro acadêmico, de viagem, de fotos, mas ela acha que o melhor mesmo seria um livro da sua vida. Ela poderia sentar e começar escrever agora mesmo. Afinal histórias para contar não lhe faltam. Imagens de um filme bem acelerado passam em sua mente.
Quantas histórias na mesma história. Histórias que se fecham e voltam a se abrir. Histórias com começo estranho e final bacana. Histórias que eram conto de fadas, virou filme de terror, e depois animação em 3D.
Histórias de suspense, de superação, e claro muito romance! Porque se tem um coisa que ela não desiste é do amor.
Ai quantos amores e desabores essas menina-mulher já teve.
Podia estar casada, separada, viúva e com filhos. Mas não, ela está solteira e se sente bem, se sente livre, jovem e também madura.
Está com toda vontade de arriscar, seja num novo romance, numa nova cidade e num trabalho diferente, ou seja ficando só, na mesma cidade e com a mesma atividade.
Ela quer arriscar querer e conseguir mais, de tudo! Alias, isso para ela nem é arriscar, é seu estado de espírito natural. A diferença de agora é que ela se arrisca com o mesmo peito aberto, mas qualquer imprevisto, ou surpresa, ela tem um plano B, ela aprende a lição mais rápido e continua em frente.
Claro que ela olha para trás, na verdade ela faz isso bem frequentemente, porém só como ponto de referência para o momento atual e para melhor seguir fazendo planos e alcançando metas.
Acho que ela herdou isso do pai, da profissão dele. Profissionalmente, ela acabou tomando um rumo bem diferente do seu progenitor, mas leva muito dele em suas atitudes.
E o que falar do que ela traz da mãe. Caramba, elas são uma em duas, ou duas em uma? Vou usar uma metáfora literalmente bem pobre e infantil. Sabe aquele chiclete ping pong 2X1 (nem sei se existe mais, há tempos só masco chiclete sem açúcar) - Dois sabores no mesmo chiclete. Tipo morango banana, melão com laranja, marshmallow e Coca Cola... quando você coloca na boca da para sentir os dois sabores e conforme você vai mastigando os gostos vão se misturando. Assim, é ela e su mamazita, com a vantagem, que diferente do chiclete, elas não perdem o gosto quando o tempo passa.
Ela ainda leva atitudes que foi colhendo ao longo da vida, com seus irmãos, amigos, mestres e aquelas pessoas estrategicamente colocadas no universo e com aquelas que ela nem se da conta, características de suas personagens favoritas e de gente anônima do dia a dia.
Mas voltando a pensar no pensamento dela, ela divaga em como poderia começar seu livro, há tantas maneiras...
Em que momento da história ela começaria a narrar? Começaria com o momento presente ou com o passado?
Nada muito certinho, agora não se usa mais narrativa linear, nada contra, acho que tanto em roteiro de filme, como em enredo de um bom livro, o clássico, começar pelo começo, o meio é onde o conflito é gerado e o final é o desfecho, nunca vai ficar fora de moda, quando se tem uma boa história nessa estrutura e bons personagens. Porém muito provavelmente, ela vai vai narrar de maneira mais desconstruida, porque é assim que as imagens de sua história vão aparecendo em sua cabeça e o leitor com sua subjetividade interpreta como quiser ou conseguir. Desculpe o óbvio, mas a história de alguém não começa no dia em que ela nasce e não termina no dia que ela morre.
Bom, o livro ainda não vai sair, porque antes de apresentar o quebra cabeça para vocês, ela precisa resolver algumas questões, encaixar algumas peças, jogar mais de aprender a viver.
No caso dela, acho que me expressaria melhor dizendo:
Ela vai continuar dançando para aprender a viver e contar.

miércoles, 24 de marzo de 2010

A dança da narcisa contente


Danço sozinha,
Feliz
Porque sou minha melhor companhia
Danço a vida
A morte
O estar presente
Danço o fim
O recomeço
O seguir sempre em frente
Danço com música
Danço com o vento
Com o mar
Com tudo que haja movimento
Danço por que amo
Porque sofro
Danço pelo riso
Pelo choro
Ou por qualquer emoção que nasça do peito
Danço pelo Sou
Pelo Estou
Pelo fui, pelo estive
Pelo serei, pelo irei
Danço nua
Danço bela
Dança etérea
Dança que regenera
Bailo livre,
em comunhão com o universo
o ritmo que toca no meu coração.


Raquel Gomes de Oliveira