domingo, 12 de septiembre de 2010

O exercício da representação através da imagem

Esse final de semana revivi fortes emoções. É que há um ano atrás, justamente na primeira quinzena de setembro, quando eu também vivia um momento de inferno astral, eu dei uma entrevista a Lilian Ucker para o trabalho de investigação da tese de doutoramento dela, com o título: Transitos y (re)posiciones de identidad de estudiantes brasileños: una investigación desde la pedagogia internacional, dentro do programa de pós-graduação “Educación y Artes Visuales: un enfoque construccionista" na Universidade de Barcelona, sob a tutoria do professor Fernando Hernandez.

A tese dela gira em torno de histórias de vida de estudantes brasileiros que estão em Barcelona em processo de doutoramento (sou a unica dos 12 entrevistado que terminou o doutorado). Tem como objetivo analisar como os alunos se (re)posicionan frente às mudanças pessoais e profissionais durante seu processo de formação e mudança de país. É uma tentativa de abrir espaço para que os estudantes possam falar sobre seus processos de tomada de consciência, levar a um pensamento reflexivo através de suas histórias de vida, sua trajetória pessoal e profissional e assim compreender seu processo de formação identitaria. E a coleta de dados foi feita num primeiro momento através de entrevistas.

Imaginem, eu lendo o que eu falei há um ano atrás, quase 30 páginas sobre a minha vida, no período de 6 anos em Barcelona. Foi inevitável não chorar, não rir, não sentir que às vezes aquele passado já estava distante demais, e em outros momentos, presente demais, não sentir que aquelas reações eram tão minhas e ao mesmo tempo sentir que tudo aquilo parecia vivido por uma personagem que não era eu. Era a jovem protagonista em busca de conhecimento, fé, amor, de viagens, cultura, de um livro que eu estava lendo.

Na segunda parte da pesquisa de Lilian, ela me pergunta como eu me representaria através de imagens minha experiência vivida em Barcelona. Claro que são várias as imagens que me representam numa experiência como essa, longa e diversificada, que preferi escolher apenas uma imagem que representa como muitas vezes eu me sentia. Lógico que Lilian pede para eu explicar o porquê. E esta foto, com a explicação que eu compartilho com vocês.

Estou na rua mais conhecida e movimentada da cidade, Las Ramblas de Barcelona. Estou no centro da foto, que esta na rua que é o centro da cidade. Eu sou o meu centro em Barcelona. Uma rua que gosto muito de caminhar sozinha, com amigos ou para levar as pessoas que vem me visitar e conhecer a cidade. Uma rua que me encanta por sua diversidade, por ser cheia de artistas, flores, animais, lojas, comidas e gente, por estimular meus sentidos.

Estou no meio de uma multidão, mas estou só e bem. Todos a minha volta estão sem foco, eu focada. As pessoas usam roupas escuras e eu uso branco e cores. Sou unica. Sou uma parte que se destaca desse todo. Eu me visto com uma saia que comprei no Tibet e com uma blusa que era de uma amiga, e ela já não queria mais. Esse jeito de se vestir é tão meu.

A minha postura corporal também fala. Eu estou com o corpo querendo seguir a diante, mas levemente virado para trás. Olho para trás porque essa é minha referência, mas quero seguir em frente. E no final das Ramblas há o mar. Dessa imensidão que é o mar posso ir a qualquer lugar.

Essa foto foi tirada por Matheus que também representa muito do meu tempo em Barcelona. Ele atrás da câmera fotográfica também representa que apesar de eu, às vezes me sentir só, eu realmente no fundo não me sentia sozinha, eu sabia que não estava sozinha, que tinha sempre Alguém olhando por mim.

Ele ficou muito feliz que eu gostei desta foto, porque eu sou chata com foto. Ele precisava tirar várias para eu elogiar e gostar de alguma. E isso foi bom, porque ele adquiriu algo de técnica e sensibilidade para fotografar. Eu acho que a idéia da foto foi minha. Ele não se lembra de quem foi a idéia, mas se foi dele igualmente eu fico feliz. Porque eu adoro essa imagem e foi um exercício de auto conhecimento interessante descrever o que eu sinto através dela. Logo que Lilian propôs se definir através de uma foto eu pensei nesta.

Raquel focada numa Barcelona sem foco. Raquel no centro da rua que é o centro de Barcelona. O lugar mais conhecido da cidade é o lugar onde eu me (re)conheço.


1ª foto: Minha imagem refletida na obra de Salvador Dali, no Museu de Figueres. Por Luiz Valcazaras

2ª foto: Matheus H. de Moraes Aita

Besitosss a todos que passam por aqui.

Raquel G. Oliveira @ComuniQuel

lunes, 6 de septiembre de 2010

Da sensação do intenso e do efêmero


Pronto já foi. Um novo segundo se inicia sem eu ter me dado conta que vários já passaram.

E quando consciente fico quero congelar o tempo. Não! Quero apenas viver bem esse Agora.

O tempo lento é mais intenso? A intensidade se da pelo efêmero? E o veloz?

Gostaria que intensidade e velocidade não se relacionassem.

Intensidade é força e tempo é força... assim prestes a fazer aniversário em um mês os questionamentos de inferno astral invadem meu ser.

Quanto mais o tempo passa mais força deveria eu ter? E tenho?

Se intensidade é força e eu quero ser leve, então nunca poderei ser intensamente leve?

Intensidade é bom mais cansa!

Principalmente para algumas pessoas que convivem comigo. Talvez, nesse próximo meu ano, que pronto se inicia, deveria mudar, deixar de ser intensa para ser serena...

Não, não seria eu...

Hey, you!

¿Yo?

¡Sí!

Você não é balança?

Ham Ham

Então põe cada adjetivo, cada emoção num prato dessa balança e deixa o tempo passar e brincar de equilibrar.

Ok! Vale! Já sei.

Vou viver no intensamente agora, no serenamente sempre e quem sabe assim poderei ser mais forte nos anos que celebro.


Raquel G. Oliveira @ComuniQuel

martes, 24 de agosto de 2010

Ego como sintoma da contemporaneidade


Tenho pensado muito no meu ego. No assumidamente ególatra que sou. E no ego que ganha força em cada um com a Web 2.0, com os perfis em redes sociais e a exposição da individualidade.

Em 2004 com intuito de entender melhor a linguagem dos sites, aprendi a fazer página web e criei a minha. Mas sobre o que iria falar? Como iria chamá-la? Eu não sou uma expertise em nada, agora depois do doutorado posso até considerar que sim, mas naquele entonces eu estava no início da minha caminhada acadêmica e achava que com minha curta experiência eu pouco iria aportar se resolvesse ter um blog sobre novas tecnologias ou assuntos afins. O único tema que passava pela minha cabeça que eu poderia criar categorias e diferentes textos era a minha história. Como chamar então este espaço virtual? A palavra ComuniQuel veio a mente. Porque como comunicóloga poderia deixar meu gosto pela contação de história ainda mais amplo, podia falar sobre qualquer coisa ligada a comunicação e Raquel.

Simplesmente não conseguia pensar em outro nome, foi o primeiro e único nome que pensei. Que falta de imaginação! Que excesso de ego! Criei um site que mais parecia um blog. Foi bacana porque aprendi sobre linguagem HTML, mais logo percebi que não tinha muito sentido manter aquilo com formato de site e ainda ter custo.

Mais uma vez com o intuito de aprender sobre comunidades virtuais, pois tanto aprender sobre sites ou comunidade virtual era enriquecedor para a pesquisa do doutorado, entrei no Globoonlines (GO), uma comunidade de blogs do Globo Online (naquela época era este o nome do ciberjornal). Mantive com o mesmo nome o novo blog e um dos meus assuntos mais recorrentes era as muitas viagens que eu fazia. O ponto alto foi quando contei da minha travessia no Tibet durante umas duas semanas e a cada dia ganhava mais leitores para me acompanhar nessa aventura.

Depois o GO fechou e dessa experiência desenvolvi um gosto ainda maior por compartilhar minhas experiências, minhas histórias e aprendi sentindo como os ambientes virtuais podem gerar laços de amizade e de confiança (capital social). Havíamos feito um grupo de amigos que tinha blog no GO e agora se sentiam órfãos, foi então que resolvemos criar novos blogs independentes em outros espaços, porém conectados pela vontade de estar reunidos.

Assim é. Posso ficar sem escrever um tempo, e isso acontece mais frequente do que eu gostaria, mas sempre recebo a visita dos mesmos leitores-amigos da época do GO de 2006-2007, e claro novos leitores vão aparecendo.

Continuo escrevendo aqui sobre minhas vivencias pessoais, por mais que em vários momentos achasse que devia dar um ar mais profissional, mas não consigo. O ComuniQuel é isso, sou eu falando sobre mim e minhas coisas. Um diário digital (sem ter essa periodicidade).

Esse jeito de diário é o motivo da existência de muitos blogs, principalmente feminino. Mulher tem essa necessidade de falar e ser ouvida, de dividir mais, às vezes beirando a experiência adolescente de ter um diário, só que agora não tem a menor graça se ele não for público. Apesar de já estar quase com 33 anos sou assumidamente adolescente em alguns aspectos, na cor desse blog por exemplo.

O meu ego está por toda parte. No nome do blog, nos textos e na montagem de fotos da cabeceira. ComuniQuel ficou tão forte para mim que meu perfil do Twitter leva o mesmo nome e acabei usando o mesmo nome no perfil do novo blog, o sério, o de docente da disciplina da Póscom.

Semana passada, na comemoração dos 20 anos do programa de pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da UFBA, assisti a conferência “Logos sensorial: tempo e sensação na contemporaneidade”, pelo Doutor em semiótica Julio Pinto, que disse muito sobre o ego como uma sintoma da contemporaneidade, da relação do EU com o tempo Presente e as sensações. Tema também de outros posts por aqui. Ai me senti aliviada. Pode não ser bom, ou pode que seja, ou como tudo, tem aspectos positivos e negativos, mas esse meu ego é algo compartilhado por outros egos contemporâneos.

martes, 17 de agosto de 2010

Salvador e meus blogs


Daqui alguns dias faz 6 meses que vivo em Salvador e desse tempo acabei dividindo muito pouco aqui no ComuniQuel. Não foi por falta de assunto, porque esse meio ano para mim foi repleto de acontecimentos, acho que foi até pela quantidade de histórias, emoções e novidades que eu não consegui me organizar para continuar escrevendo com a frequência que gostaria, e ai incluo comentários e visitas nos blogs dos amigos.
Muitas vezes eu vivia ou revivia uma história e mentalmente falava, tenho que escrever isso no blog. Viajei para Vitória e Maceió para prestar dois concursos em Universidades Federais, que felizmente fui aprovada, passei a copa inteira querendo escrever e dividir as fotos sobre a viagem que fiz (em 2006) para África do Sul, quis compartilhar com vocês a festa do Mundial junto aos espanhóis, cheguei a precisar dividir as angustias de voltar a viver no Brasil e sentir o choque cultural por estar na Bahia, e viver as maravilhas culturais por estar na Bahia. Mas acabei não escrevendo nada disso, talvez tenha simplesmente perdido o momento desses pensamentos, sentimento e acontecimentos, ou talvez uma hora dessas ainda escrevo sobre momentos que passaram, mas que sinto que valem a pena ser compartilhados.

Estou em Salvador para um pós doutorado na UFBA no grupo de pesquisa de Comunicação, Internet e Democracia. E a partir de amanhã compartilho a docência da disciplina "Alternativas Contemporâneas em Comunicação e Cultura – Apropriação social das tecnologias digitais de Comunicação: dimensões políticas", no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom-UFBa).
Eu e SivaldoPereira (o outro pós doc, docente) vamos estar coordenando também o blog da disciplina http://alternativasposcom.wordpress.com/ . Por enquanto o blog está só começando mas em breve pretendemos fazer dele um ponto virtual de discussão sobre novas tecnologias, internet, política e outros temas afins e também um lugar onde se pode encontrar referencias bibliográficas, pesquisa, dicas, eventos e outros assuntos que forem surgindo.

Agora fico aqui na torcida para que blog e disciplina tenham êxito e que eu possa me organizar, neste meu segundo semestre de Bahia e voltar a estar mais presente na blogosfera.

Besitosss
Quel

Foto:Yo mirando la "Bahia de todos os santos", Salvador -BA

miércoles, 28 de julio de 2010

Amigos - happy friend's day (delayed)

Estou de volta a Salvador depois de dias maravilhosos em São Paulo. Não fiz nada de extraordinário. Não fui a nenhuma grande exposição, não vi um filme ou uma peça de teatro que tenham me emocionado, não estive em nenhum mega evento e nem em um show com algum artista internacional. Opções de lazer que São Paulo é um dos melhores lugares para se viver. Não fiz nada disso, mas comi muito bem, em restaurantes e nos lares aconchegantes de alguns amigos e meus dias foram deliciosos porque a natureza me agraciou com dias ensolarados e quentes em que foi possível ver um céu azul anil durante o dia e um luar nas minhas noites de alegria. O bom tempo deu clima perfeito, contradizendo a meteorologia que dizia que a frente fria chegaria no final de semana. Mas a essência da felicidade desses dias foram as pessoas. Encontros e reencontros com velhos e novos amigos que me fazem sentir afortunada.
Abençoada por ter relações de amizades de tão longa data com pessoas que o tempo e a distância não transformam em ausência.
Feliz por sentir que mantenho laços antigos com a mesma facilidade que faço novos e que surpreendentemente os novos já parecem de tempos remotos, já se tornando parte da minha vida e do rol das pessoas que quero bem e quero estar. Não que eu faça amizade e seja amiga de "todo mundo", isso vale pouco na real. Mas gosto de cultivar e abrir os horizontes para pessoas que tem o que dizer e sabem escutar.

O tempo passou sem ansiedade, claro que gostaria de ter ficado mais dias e mais tempo com cada um dos amigos, mas o tempo foi intenso, verdadeiro e divertido.
Ah! quanta risada dei durante esses dias. Quantas histórias contei e ouvi. Quanta saudade matei para já voltar a sentir.
Não consegui estar com vários amados amigos, mas prometo, agora que deixei de ser catalana para ser baianinha, que irei mais vezes a São Paulo e que os amigos do Rio, Curitiba, Porto Alegre aguardem que qualquer hora também apareço por essas bandas.

Então esse texto é só para deixar registrado meu obrigada ao carinho de todos os amigos, os que encontrei e os que esse encontro está por acontecer. Aproveitando que dia 20 foi dia do amigo, e que todo dia é um bom dia para dizer as pessoas o quanto ela são importantes em nossa vida e deseja-las felicidades.
Besossss y abrazosss
Quel

jueves, 15 de julio de 2010

Tudo pode dar certo

Tenho estado atenta as minhas emoções e quando um sentimento de angustia, ansiedade e preocupação, que são todos facetas disfarçadas do medo, querem ganhar vida dentro de mi, eu simplesmente aborto.
Ultimamente vinha percebendo uma ponta de preocupação relacionada a um artigo que tenho que escrever. A princípio o tal trabalho tinha um prazo longo, parecia perfeitamente tranquilo desenvolve-lo naquele período, mas o tempo foi passando e eu tinha o tema do artigo, mas não encontrava o objeto de estudo que me despertava motivação em investigar e ai, o prazo agora ficou curto.
Ontem depois de muito navegar pela internet e pesquisar, me rendi a mais um dia sem encontrar o foco da pesquisa e uma vez mais senti a tal da preocupação e ansiedade dialogarem com o meu ego.
Sem censura disse a mim mesma que o melhor seria dormir, mentalizar positivo, e viver o poder do Agora, que naquele momento era um sono reparador.
Hoje pela manhã, em minhas visitas rotineiras as mídias sociais, encontro um link de meu interesse no twitter, que me leva a outro link e mais outro, e pimba! Lá estava a experiência que faltava para completar o que queria investigar e escrever.
E a partir daquele instante, uma sensação já conhecida estava (e esta) presente em mim. Tudo vai dar certo!
O que fez minha cabeça linkar outro pensamento, o novo filme do Woody Allen "Whatever Works", ou traduzido aqui no Brasil como "Tudo poder dar certo".
Desde que li a crônica de Martha Medeiros sobre o filme há alguns meses atrás fiquei com uma enorme vontade de assistir e há dias venho ensaiando pegar a matinê, porque aqui em Salvador só tem um cinema passando e no horário da tarde.
Os últimos filmes que vi de Woody Allen me agradaram justamente pela leveza, o humor e verborragia continuam presente, mas a filosofia é mais simples e não menos reflexiva.

Boris, o protagonista mal humorado da obra já avisa por onde o filme caminha com as frases no inicio: “As pessoas tornam a vida pior do que é preciso”, “Às vezes, os clichês são a melhor forma de dizer as coisas”. Mas a idéia do filme se completa com o que a Martha expõe em sua crônica, para ela Woody Allen se havia dado alta.
“Em seus filmes anteriores, mais ricos e consistentes em questionamentos existenciais, o diretor parecia dizer: “Não há cura”. Em sua resignada fase atual, ele parece dizer: “Não há doença”. O diretor está apenas confirmando que não temos nenhum domínio sobre os mistérios que nos rondam e sobre as experiências nunca testadas. Então, não importa o que façamos, o risco de dar certo é o mesmo de dar errado, e, até quando parece que dá errado, funciona. Qualquer coisa funciona".

E eu complemento as palavras de Martha. O deu errado, é um deu certo de outro modo. Whatever works!

Volto para minha rotina, de investigar e escrever, com a certeza que é besteira ter certezas, que o caminho certo, seja o do meu artigo ao qualquer outro é aquele em que eu me sinta bem.

Besos e axé!
Raquel

jueves, 24 de junio de 2010

O pôr do sol de São João


Os últimos anos eu passei a data do dia 23 (e sua véspera), curtindo "San Juan" em Barcelona. Uma festa de boas vindas ao verão, celebrada a beira do mar, com direito a fogos de artifício, fogueira, música e alegria. Uma festa para se viver entre amigos e que lembra demais o ano novo em nossas praias brasileiras. Cada ano, em seu dia de San Juan teve uma história, a melhor sem dúvida foi a vinda de Dali, meu gato, para casa, com apenas 2 meses de idade e assustadíssimo pela casa nova, gente estranha e os fogos que não cessavam de estourar nos céus da cidade. Porém a história de Dali merece um post a parte.


Foto do Dali no dia que chegou em casa

E o dia que vivo hoje já não é de San Juan é de São João da Bahia. São João no nordeste é coisa série. É feriado. A cidade de Salvador se esvazia para que o interior possa ganhar protagonismo em suas diferentes pequenas cidades cheias de gente de todo canto, que pega horas de congestionamento a fim de viver esse arraial, em que o calor e a alegria estão garantidos. E o tempo tem ajudado muito. Apesar de inverno, provavelmente está mais quente aqui do que no velho continente.

Eu fiquei na capital. Há uns 7 anos eu vivi um delicioso São João no interior na Bahia, já sei como é e preferi desfrutar de uma cidade tranquila e quase desabitada. Mas quem fica se encontra. A festa é certa no pelourinho ou em bairros como o Santo Antônio. Eu fui conferir e não me arrependi. Pude tomar licor de maracujá, comer milho, bolos e outras guloseimas características dessa festa.

Licor caseiro das mais variadas frutas

É uma festa para todos os públicos, que me fez lembrar em alguns aspectos as festas juninas da minha infância no interior de São Paulo. A diferença mais notável veio na hora da competição entre quadrilhas, a roupa dos concursantes e o modo de dançar lembravam mais a uma festa de carnaval. É a quadrilha na Bahia!

E as pessoas.. todos aqueles rostos negros, mulatos felizes me fizeram lembrar que estou num outro estado e me fez sentir num outro país. Lembro do carnaval que vivi em Cuba...


Agora o melhor do dia não foi a comida, a quadrilha, a música, as pessoas, o espetáculo feito por essa gente, mas foi o espetáculo da natureza. Que acontece todos os dias, em todos os lugares mas que raramente paramos para contemplar.


A vista da Bahía de Todos os Santos, desde cima do elevador Lacerda, com um pôr do sol de tirar o fôlego, me faz pensar que São João está feliz com as comemorações de Salvador e estou feliz por presenciar, registrar e compartir esse momento.



Para completar o dia, ou melhor a noite que surgia depois do pôr do sol, São João mandou a lua tão redonda e cheia de si, trazendo ainda mais beleza para essa festa.


Fotos: Raquel G. Oliveira
Para ver fotos de San Juan clique aqui


Feliz São João! ¡Feliz San Juan!
Beso e "xero"
Quel

viernes, 18 de junio de 2010

Dios es el silencio del universo y el hombre es el grito que da sentido a ese silencio

"Há momentos assim na vida: descobre-se inesperadameente que a perfeição existe, que é também ela uma pequena esfera que viaja no tempo, vazia, tranparente, luminosa, e que às vezes (raras vezes) vem na nossa direcção, rodeia-nos por breves instantes e continua para outras paragens e outras gentes."
In Manual de pintura e caligrafia, ed. caminho, 6ªed., p. 291

Não me sinto capaz de escrever sobre esse grande homem, mais por outro lado a vontade de dividir a tristeza e a imensa admiração é grande, por isso faço uso desse espaço e compartilho três links que me parecem ilustrador, importante e uma boa aportunidade de conhecer Saramago através da hipermídia.

O primeiro é um excelente texto do também admirável Humberto Eco, "Un bloguero llamado Saramago", prólogo da edição italiana do El Cuaderno, obra que recolhe os comentários que o Nobel português publicou em seu blog até março de 2009 (e agora é mantido pela fundação José Saramago).


O terceiro link é uma galeria de fotos sobre uma exposição feita sobre o autor.
Saramago,
A você sossego e a nós, só nos resta o desassossego. Descanse.
.....
E a vida segue... enquanto isso aqui na Bahia, Maria Bethania comemora 64 anos como "uma jovem senhora cheia de juventude". Parabéns e vida longa!
Besosss a todos
Raquel

domingo, 9 de mayo de 2010

Lembranças de vovó




Fecho os olhos e volto no tempo. Tenho 10 anos de idade. Estou brincando com outras crianças em uma rua de terra, em Lorena, uma cidade do interior de São Paulo. Minha vó grita e o cachorro late e sei que que é hora de entrar para almoçar. Não sem antes lavar as mãos e ajudar a colocar a mesa. Saboreio uma comidinha simples e deliciosa: arroz, feijão e bife acebolado feitos num fogão a lenha, e acho até gostoso salada de chicória temperada com limão. Não tem ninguém que faça uma salada de chicória igual a Vó Alzira. Depois do almoço escuto minha vó repetir o seu ditado preferido: “serviço de criança é pouco, mas quem perde é louco” e assim sei que tenho que ajudar a arrumar a cozinha. Assitimos juntas alguma novela do Vale a pena ver de novo, e lá vou eu novamente brincar na rua, jogar queimada com bola de meia, esconde esconde, pular corda, ver os meninos empinarem pipa ou sem que vovó saiba brincar de salada de frutas, em que o cardápio é beijo, abraço ou aperto de mão. A tarde passa rápido é hora do café passado no coador de pano, se tenho sorte será acompanhado de um bom pedaço de bombocado de fubá quentinho e se quiser tem também a melhor paçoquinha do mundo, feita num enorme pilão de madeira e acompanhada de banana.
Chegou as férias e posso ficar uma semana na casa de vovó, sem papai, mamãe e os meus irmãos. Vendo televisão na sua enorme e confortável cadeira de balanço. Brincando no quintal repleto de árvores e com uma banheira antiga, algo que sempre me pareceu surreal, por que uma banheira no quintal? Mas ao mesmo tempo muito legal, essa banheira se transformava em tantas coisas em minha imaginação, podia ser uma nave, uma cama, um caldeirão mágico e até uma banheira. Brincar, brincar e brincar na rua cheia de crianças ou com meus primos que vejo tão pouco durante o ano. A noite sempre tem histórias no quartão de sua casa, ela me conta do tempo que era moça ou sobre as façanhas do meu vovô Silvio, um homem bom e corajoso que que se alistou aos 17 anos para servir o país numa Itália em tempos de guerra, ou alguma história da minha mãe ou de alguma outra tia. Histórias que nem me lembro mais, mas eram contadas por um senhora bonita, elegante e batalhadora que criou seis filhas e um filho com muita luta e dignidade e ajudou no que pode na criação dos netos.
Uma saudade profunda e dolorida faz com que me sinta feliz por ter essas imagens de minha infância e triste por não poder dizer mais a vovó o quanto a amava, o quanto a achava bela e fui feliz em sua casa.


Depois de uma semana difícil, numa cidade em que não conhecia nada, nem ninguém, prestando um concurso em que utilizei todas as minhas forças e coloquei toda a minha fé, uma experiência válida, por me mostrar o quanto sou capaz, e ao mesmo tempo injusta, porque não adiantava quanto esforço eu colocasse, o concurso já tinha a sua única vaga reservada para uma candidata específico, estava eu exausta no aeroporto esperando o voo que estava atrasado para voltar a Salvador. Resolvo dar uma olhada rápida na internet e vejo que uma prima minha coloca em seu orkut, “Luto. Saudades, te amarei para sempre” abaixo da foto de minha vózinha. Fico sem entender por alguns segundos até que a ficha cai. Minha avó morreu. Ligo correndo para minha mãe que não está em casa, pois tinha viajado para ir ao velório. Fico perplexa e não consigo me conter e sozinha desabo a chorar compulsivamente naquele saguão de aeroporto. Alguém vem e me oferece um copo de água. O embarque se inicia, levanto e sem perceber deixo cair meu RG no chão. Alguém me devolve. O voo estava cheio, e tive que viajar ao lado de um cara que não parava de falar, quando tudo que eu precisava era de silêncio, era que me deixassem chorar em paz.

Em Salvador, consigo falar com minha mãe que me explica que não havia me dito nada, pois eu estava no meio de um concurso de vários dias e a noticias iria me desestabilizar. Eu a entendo, mas sofro por não haver estado presente nesse ritual de despedida. Ela me acalma e diz que foi lindo, que todos os filhos estavam presentes e alguns netos e bisnetos e que teve choro, risos e cantoria. Ela me conta que o velório foi emocionante, e que a atmosfera foi de muita paz. Tranquilizo-me, mas ainda sinto por haver perdido esse momento.

Ela me conta que em seu retorno, de madrugada, um caminhão bate na traseira do carro em que estavam, e que o carro saiu da pista, ficou bem amassado, mas que eles não sofreram nenhum arranhão. Agradeço imensamente a Deus por ter poupado meus pais, pois posso lidar, não sem dor, com a passagem da minha avó, mas não estou preparada para perder meus pais. E possivelmente nunca estarei.

Vivo dias difíceis, mas surge uma brecha no trabalho e não penso duas vezes, de um dia para outro estou voando seis horas para passar o dia das mães com minha mainha.

Hoje estou em paz, feliz, realmente feliz por estar ao lado dela, de podermos viver esse luto juntas, de compartilharmos a lembrança e o amor que sentíamos por nossa amada Alzira Camoezi Gomes.

Agradeço a vovó por ter me dado uma mãe tão fantástica e agradeço a minha mãezinha pela oportunidade de ter convivido com uma avó que mesmo morando longe, durante toda minha vida sempre esteve presente.

Desejo que todas as filhas/os possam curtir imensamente suas mães e que todas as mamães possam curtir imensamente seus filhos, fisicamente ou na lembrança e que Deus abençoe muito essa relação tão divina que é ser mãe e ser filha/o.

Felicidade, paz e amor a todos que aqui passarem.
Besosss
Quel

jueves, 6 de mayo de 2010

O livro de sua vida - Dançando para aprender a viver


Dançando ela pensa em escrever um livro. Na verdade ela já pensou várias vezes. Já pensou em livro acadêmico, de viagem, de fotos, mas ela acha que o melhor mesmo seria um livro da sua vida. Ela poderia sentar e começar escrever agora mesmo. Afinal histórias para contar não lhe faltam. Imagens de um filme bem acelerado passam em sua mente.
Quantas histórias na mesma história. Histórias que se fecham e voltam a se abrir. Histórias com começo estranho e final bacana. Histórias que eram conto de fadas, virou filme de terror, e depois animação em 3D.
Histórias de suspense, de superação, e claro muito romance! Porque se tem um coisa que ela não desiste é do amor.
Ai quantos amores e desabores essas menina-mulher já teve.
Podia estar casada, separada, viúva e com filhos. Mas não, ela está solteira e se sente bem, se sente livre, jovem e também madura.
Está com toda vontade de arriscar, seja num novo romance, numa nova cidade e num trabalho diferente, ou seja ficando só, na mesma cidade e com a mesma atividade.
Ela quer arriscar querer e conseguir mais, de tudo! Alias, isso para ela nem é arriscar, é seu estado de espírito natural. A diferença de agora é que ela se arrisca com o mesmo peito aberto, mas qualquer imprevisto, ou surpresa, ela tem um plano B, ela aprende a lição mais rápido e continua em frente.
Claro que ela olha para trás, na verdade ela faz isso bem frequentemente, porém só como ponto de referência para o momento atual e para melhor seguir fazendo planos e alcançando metas.
Acho que ela herdou isso do pai, da profissão dele. Profissionalmente, ela acabou tomando um rumo bem diferente do seu progenitor, mas leva muito dele em suas atitudes.
E o que falar do que ela traz da mãe. Caramba, elas são uma em duas, ou duas em uma? Vou usar uma metáfora literalmente bem pobre e infantil. Sabe aquele chiclete ping pong 2X1 (nem sei se existe mais, há tempos só masco chiclete sem açúcar) - Dois sabores no mesmo chiclete. Tipo morango banana, melão com laranja, marshmallow e Coca Cola... quando você coloca na boca da para sentir os dois sabores e conforme você vai mastigando os gostos vão se misturando. Assim, é ela e su mamazita, com a vantagem, que diferente do chiclete, elas não perdem o gosto quando o tempo passa.
Ela ainda leva atitudes que foi colhendo ao longo da vida, com seus irmãos, amigos, mestres e aquelas pessoas estrategicamente colocadas no universo e com aquelas que ela nem se da conta, características de suas personagens favoritas e de gente anônima do dia a dia.
Mas voltando a pensar no pensamento dela, ela divaga em como poderia começar seu livro, há tantas maneiras...
Em que momento da história ela começaria a narrar? Começaria com o momento presente ou com o passado?
Nada muito certinho, agora não se usa mais narrativa linear, nada contra, acho que tanto em roteiro de filme, como em enredo de um bom livro, o clássico, começar pelo começo, o meio é onde o conflito é gerado e o final é o desfecho, nunca vai ficar fora de moda, quando se tem uma boa história nessa estrutura e bons personagens. Porém muito provavelmente, ela vai vai narrar de maneira mais desconstruida, porque é assim que as imagens de sua história vão aparecendo em sua cabeça e o leitor com sua subjetividade interpreta como quiser ou conseguir. Desculpe o óbvio, mas a história de alguém não começa no dia em que ela nasce e não termina no dia que ela morre.
Bom, o livro ainda não vai sair, porque antes de apresentar o quebra cabeça para vocês, ela precisa resolver algumas questões, encaixar algumas peças, jogar mais de aprender a viver.
No caso dela, acho que me expressaria melhor dizendo:
Ela vai continuar dançando para aprender a viver e contar.

jueves, 15 de abril de 2010

Esse papel não me pertence



Como muitos sabem já fui atriz de profissão, alguns dizem que sempre serei, é só eu querer que poderia voltar à ativa. Pode ser. Mas a verdade é que todos somos atores em nossas próprias vidas, vivendo diferentes personagens conforme a situação nos pede.

Repetindo o mesmo texto batido em tantos discursos que, às vezes já nem sabemos mais se acreditamos naquilo. Mudando o texto quando é conveniente e preciso, ou improvisando quando não há outra saída.

Trocando de figurino quando já está apertado, velho, desgastado, ou simplesmente não é o traje adequado para o papel, a cena ou o cenário.

Usamos máscaras quando não conseguimos expressar o que sentimos, ou não estamos seguros poder transmitir. Usamos para exagerar os sentimentos e ganharmos visibilidade, ou quantas vezes não as usamos para esconder aquilo que não desejamos revelar, para sentirmos protegidos.

Somos filhos, pais, amigos, namorado, marido, chefes, empregados, estudantes, submissos, autoritários, desocupados ou worlkaholic, diversos papéis que o mesmo ator representa, ou vive, se a palavra representar parecer inadequada.

Em todos os papéis podemos ser também diretores da cena, ou marionete da execução. Ás vezes decidimos conscientemente, outras vezes o destino, a vida decide por nós.
Entretanto, tem um papel que, nem sendo profissional ou amadora, nem decidido ou imposto eu nunca gostei de atuar. O de vítima. Ô papelzinho chato, desqualificado e comum. Sempre tem alguém perto da gente que adora esse papel, que o faz com maestria, mas que nem assim me da inveja.

Claro, reclamo da vida, me queixo do mundo, me revolto com as injustiças sociais e políticas, me decepciono com a atitude alheia, e me frustro com meu próprio comportamento. Sou humana, sou normal (não muito de perto), sou emocional e é inevitável não fazer o papel de vítima hora ou outra. Mas venhamos e convenhamos, quando podemos escolher onde queremos encenar, com quem queremos contracenar, quem será a nossa platéia, qual a emoção que rege a cena, qual o texto que vamos falar, tem tanto papel melhor para se viver.

Posso e sou vítima sim em alguns momentos, mas que sejam momentos breves e que eu logo perceba que há figurinos mais glamorosos, sexy, interessantes e inteligentes de se vestir. Tem tanto papel mais produtivo para mim e para sociedade, então prefiro viver o papel de guerreira, de aprendiz, de comunicadora, de mutante, de louca, de ambientalista, de viajante, de cidadã, de amante...

Amante do meu espetáculo diário, do espetáculo do outro, da arte, da vida, da natureza, do nascimento, do amadurecimento, da mudança, da prosperidade, da superação e da solidariedade.

Muita Merda!

Que abram as cortinas, quero pisar firme no palco, encarar meu público de frente, soltar o verbo, mexer o corpo, me emocionar, emocionar, pois há tempos já estou em cena.

Besosssss

Raquel G. Oliveira

domingo, 11 de abril de 2010

Dói sim, mas eu escolhi assim


Enquanto estivermos vivos sempre temos, no mínimo, duas opções:
Ficar parado ou seguir em frente.
Remoer o passado ou viver o presente.
Viver no futuro ou deixar ele acontecer.
Seguir insatisfeita e junto a alguém, ou separar e poder ser feliz.
Correr riscos ou ficar na mesmice.
Odiar o chefe ou mudar de emprego.
Reclamar da vida ou agradecê-la.
E a lista segue...

Às vezes, o que acontece é que sabemos qual opção, caminho, escolha ou decisão devemos tomar, mas nos falta coragem. Porque tal decisão acarretará uma serie de outras opções, caminhos, escolhas ou decisões que ainda não conhecemos.
Também acontece, em alguns casos, que já fizemos nossa aposta, mas ela segue interna. Entre saber o que fazer e conseguir fazer, existe uma distância absurda. A boa notícia é que conforme essa decisão vai crescendo dentro da gente, a brecha vai diminuindo e quando vemos, a ação está feita.
Perdemos a segurança que tudo vai dar certo, que nossos sonhos serão realizados, não no tempo que queremos, e sim no tempo que lhe é devido.
Falta-nos força para não voltar atrás, porque o que ficou conhecemos e o que virá só o tempo dirá.
Esquecemos que é importante confiar em Deus, na benção que é estar vivo, na magnífica força que cada um trás dentro de si.
Dar um passo adiante significa mudar de lugar, de perspectiva. É a possibilidade de olhar e ver diferente. E, possivelmente teremos que nos acostumar com a nova luz, da distinta paisagem.

Vivemos apegados, a roupas, livros, papéis, pessoas, cidades, situações, histórias, palavras, promessas, sentimentos que já fazem parte de um passado que nada tem a ver como o nosso presente e muito menos com o futuro que sempre desejamos.

Deixamos de sentir que viver é reinventar-se, redescobrir-se e amar-se cada dia mais.

Doem algumas decisões, machuca alguns caminhos, dilaceram determinadas escolhas, mas também nos liberta, quando fazemos a opção certa.

E certa é aquela, que contrariando o que a razão diz, o coração grita, os sentidos não escondem e são unânimes no mesmo sentir.

Dói porque fazer o certo, não quer dizer fazer o mais fácil.
Dói porque teremos que contar mais com a gente mesmo, e quem sabe, não teremos nada mais do outro.
Dói porque estamos vivos, sentimos e o sentir faz com que as lágrimas não tenham controle, que as mãos suem e tremam, que o coração fique apertado e realmente com aquela sensação de rachado. Dói porque as palavras hora faltam, hora atropelam. Dói porque morder os lábios passa a ser uma dor agradável. Dói porque seguimos vendo um filme dessa história na nossa cabeça. Dói porque seguimos aprendendo com os erros e acertos, mais principalmente com os erros. Dói porque não queremos sentir remorso, resignação, nem frustração. Dói porque é assim que tem que ser.

Mas é assim que tem que ser, porque escolhemos a opção de sofrer pelo tempo que for necessário. Poderíamos paliar a dor, enganar os sentimentos, distrair os pensamentos, mas essa não seria a opção certa. Tudo isto estaria dentro da gente esperando, e possivelmente crescendo até o momento em que não pudesse mais e se exacerbasse.

Temos sempre a opção de fazer isso ou aquilo, de pensar assim ou assado, de dizer pouco ou dizer muito, de sentir tudo e não sentir nada, de viver dessa ou daquela maneira. Eu escolho a intensidade.

Se não for para ser inteiro, verdadeiro, completo e intenso não serve para mim. Por isso hoje, escolho sofrer, pois sei que é uma catarse, que logo, bem ali adiante vai me dar à possibilidade de escolher ser feliz.

Porém sempre, sempre mesmo, tem uma opção, que não abro mão: ser agradecida por tudo que vivo.

Beijos no coração e abraços na alma a todos que passarem por aqui
Raquel G. de Oliveira

miércoles, 24 de marzo de 2010

A dança da narcisa contente


Danço sozinha,
Feliz
Porque sou minha melhor companhia
Danço a vida
A morte
O estar presente
Danço o fim
O recomeço
O seguir sempre em frente
Danço com música
Danço com o vento
Com o mar
Com tudo que haja movimento
Danço por que amo
Porque sofro
Danço pelo riso
Pelo choro
Ou por qualquer emoção que nasça do peito
Danço pelo Sou
Pelo Estou
Pelo fui, pelo estive
Pelo serei, pelo irei
Danço nua
Danço bela
Dança etérea
Dança que regenera
Bailo livre,
em comunhão com o universo
o ritmo que toca no meu coração.


Raquel Gomes de Oliveira


miércoles, 17 de marzo de 2010

De onde você é?



Pelos caminhos que ando,
um dia vai ser.
Só não sei quando.
Leminski





Tem uma pergunta bem simples que acho super chata de responder, na verdade há anos que já tenho esse desprazer de contestar a dita cuja, mas de um tempo para cá, vem sendo pior.
A tal perguntinha é a seguinte: De onde você é?
O que essa indagação realmente quer dizer? Onde eu nasci? Onde eu vivi? Onde eu vivi em qual fase da minha vida? Ou quer dizer: De onde eu me sinto? Ou, da onde é o meu sotaque? Qual é meu país ou qual é a minha cidade?
Sei que uma pergunta simples assim, ingênua até eu diria, não deveria me fazer titubear tanto para responder. Mas vejam bem meu histórico:
Meus pais se conheceram em Lorena, interior de São Paulo, tiveram 3 filhos, um em cada cidade. Eu nasci em São José dos Campos, mas deixei a cidade com 2 anos de idade e depois poucas vezes voltei. Sei que é uma cidade muito bacana, porém não a conheço, não tenho memória desse lugar, então realmente não me sinto “Joseense”.
Depois meus pais foram morar em Araras, também interior de São Paulo, e lá vivi 15 anos, ou seja, minha infância e o inicio da minha adolescência são ararenses. Hoje são poucas as oportunidades que tenho de visitar essa cidade, mas a guardo com todo amor em meu coração, não só pelas muitas histórias que vivi neste lugar, mas principalmente pelas pessoas que conheci. Desde minha amada afilhada e sua família, a amigos que estudei junto durante 10 anos, ou vizinhos que se tornaram amigos para toda a vida. Tenho o privilégio de manter uma amizade sólida e bela com várias pessoas dessa época. Amizades que tem 20, 25 anos e certamente terá 30, 40 se seguirmos cultivando esse carinho, e a Internet facilita muito esse contato.
Entretanto, durante esse período estudei 3 anos em Pirassununga, e na cidade da cachaça 51, tomei meu primeiro porre, de pinga claro! Fui atriz, fui professora primária e fiz excelentes amizades que também cultivo até hoje e fui muito, mais muito feliz. Foram 3 anos tão intensos de descobertas e aprendizados que certamente muito do que sou hoje está relacionado com esse período.
Até ai, vocês poderiam me dizer: você é de São Paulo. Só que eu não sou da capital, então já tenho que especificar, sou do interior de São Paulo, mas as pessoas não se contentam com essa resposta e sempre perguntam: Interior! Percebi pelo seu sotaque. De onde?

Depois meus pais foram a Curitiba. Eu achei o máximo mudar de cidade e de Estado!
Foi fantástico, me profissionalizei como atriz, me formei como Relações Públicas, vivi minha experiência amorosa mais intensa e literalmente maluca. E depois de 8 anos vivendo na cidade, como não sentir um pouco Curitibana? Como não gostar de usar casacos e botas e pertencer um pouco a cidade de Leminsky e Dalton Trevisan.

Eu terminei a faculdade e queria cair no mundo e meu pai se aposentou e queria sossego. Fui para Grã Bretanha, morei na capital do País de Gales, Cardiff e na Inglaterra vivi 5 meses em Londres. Está certo, não é meu idioma, nem meu país, mas assimilei algumas coisas daquela cultura que não quero abrir mão jamais. Só para citar uma delas o costume diário de dizer palavras gentis como: thank you, sorry and excuse.

Voltei ao Brasil e vivi um ano com meus pais, que haviam se mudado para Itajaí, em Santa Catarina, novamente uma outra cidade e um outro estado. Na verdade tinha a casa de meus pais como referência pois durante esse ano passei um tempo em João Pessoa e trabalhei uns meses na praia do Rosa, uma praia paradisíaca de SC. Porém meus planos eram claros e fui a Barcelona por 7 anos para fazer mestrado e doutorado. Sempre voltava a casa uma vez por ano, e sentia que aquela casa, naquela cidade era também meu lar. Santa Catarina é bela e perfeita para momentos em família.

Sobre Barcelona, não preciso nem dizer como me identifico com vários aspectos da cultura catalana e como amo aquela cidade. Mesmo assim, vivendo nela algumas vezes pensei e senti como Fernando Pessoa, que minha pátria era minha língua, a língua portuguesa. Hoje essa máxima me parece limitada.

Agora estou na Bahia, e me sinto muito bem aqui. Porém há momentos que me sinto mais estrangeira do que quando vivia em Barcelona, meu sotaque me denuncia. É eu abrir a boca que mais rápido que eu imagine alguém lança a fatídica pergunta.
Você é da onde?
Já dei tantas respostas diferentes. Tento pensar rápido, as vezes resumidamente conto sobre os lugares que passei, outras vezes simplesmente digo São Paulo, sentindo o coração dentro do peito bater diferente querendo dizer: “e os outros lugares que também estão aqui?”

Pensei numa resposta que me satisfaça, mas que certamente não cessarão novos questionamentos.
Por hora digo: sou Baiana.
E a pessoa reage: Baiana?
Sim, porque eu sou da onde eu estou, e me sinta bem!
E mais rápido do que alguém possa argumentar, faço eu a pergunta:
Algum problema com isso?


Besitossss e axé
Quel

domingo, 7 de marzo de 2010

Número 7 - e o selo perfeito

Tempinho atrás recebi um selo todo etéreo, como a mescla de brisa e borboleta, realmente a minha cara! A cara do ComuniQuel. Adorei o presentinho da minha afilhada Laís, do blog Leis da Laís, que por sinal sempre tem textos... como dizer... doces!!! hehehe (quem frequenta o blog dela sabe porque escolhi essa palavra). Enfim, vale a pena conferir, já falei isso aqui no ComuniQuel, e não é porque é minha afilhada.
Bueno... voltando ao selinho, como hoje é dia 7 resolvi postá-lo com suas devidas exigências. Ele vem acompanhado da premissa que tenho que escrever 7 coisas sobre mim e 7 blogueiros merecedores do selo!

Regras: 7 coisas sobre mim e 7 blogueiros merecedores do selo!

1º. Adoro o número 7. Nasci num dia 7 de 77, o que me fez gostar ainda mais deste selinho.

2º Amo viajar, meu trabalho mágico e ideal seria ser repórter de um programa de viagem, e poder contar todos os bastidores aqui no blog.

3º. Sou “multigóstica”. Não sou daquelas que tem UM gosto super definido para as coisas. Não tenho UMA cor preferida, nem UM prato predileto, nem existe A música, ou O filme que eu MAIS goste. Gosto de vários, ou alguns em cada categoria. Minhas escolhas dependem do momento, da situação ou do estado de espírito. Ah! Acabei de revalidar que toda regra tem sua exceção e descobrir que eu tenho O número, o 7 é o meu preferido!!!! Depois vem o 3, e qualquer dia escrevo sobre ele...

4º. Gosto de inventar palavras. Às vezes acho que faltam palavras no vocabulário, ou que deveriam ter mais significados ou significados mais amplos. Por exemplo: a palavra familiar, deveria também ter o significado de amar a família. Você poderia dizer: Esse fim de semana eu vou familiar. Isso quer dizer que você vai passar um tempo com sua família e vai ama-los muito. Óbvio que também inventei “multigóstica”, mas achei que soou bem. Que tal?

5º.Preocupa-me demais a quantidade de lixo que produzimos, e como desperdiçamos tantas coisas (água, luz,...) e como as pessoas, de modo geral, estão pouco sensibilizadas para questões relacionadas ao meio ambiente.

6º. Também me tira do sério quem abandona os animais de criação, como se eles fossem brinquedos descartáveis, que no primeiro problema ou grande gasto se desfazem deles com a maior facilidade.

7º Sou imensamente agradecida por tudo que sou e tenho, e por todos os momentos vividos.

Blogs que indico e regalo o selinho:

Djabal: http://djabalmaat.blogspot.com/
Lau:
http://renascendo-lau.blogspot.com/
Ana Guimarães:
http://ogozodaletra.blogspot.com/
Calmon:
http://viverpuramagia.blogspot.com/
Elika:
http://elikatakimoto.blogspot.com/
Priscila:
http://priscilarode.blogspot.com/
Rose:
http://rosasasclaras.blogspot.com/

Como adoro o número 7, deixo aqui algumas assossiações fantásticas com esse número.
O número 7 é sagrado, perfeito e poderoso; afirmou Pitágoras, matemático e Pai da numerología.
A soma de 3 + 4 = 7 está presente em várias religiões.O 3, representado por um triângulo (a Santíssima Trindade, por exemplo) é o Espírito; o 4, representado por um quadrado (a representação dos elementos do mundo físico: terra, água, ar e fogo) é a Matéria. Sendo assim o 7 é o Espírito na Terra, sustentado pelos quatro Elementos, ou a Matéria "vivificada pelo Espírito". É o espírito encarnado.

VEJAMOS ALGUMAS CURIOSIDADES RELACIONADOS AO NÚMERO SETE:


7 são as virtudes: Fé, Esperança, Caridade, Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança.

7 são os pecados capitais: Soberba, Ira, Inveja, Luxúria, Gula, Avareza e Preguiça.

7 são os sacramentos da Igreja Católica: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Ordem, Matrimônio e Extrema União.

7 são as Obras de Misericórdia:Dar de comer a quem tem fome, Dar de beber a quem tem sede, Vestir os nus, Dar Pousada aos Peregrinos, Visitar os enfermos e encarcerados, Remir os cativos e Enterrar os mortos

7 são os braços do candelabro Judeu, indicando os 7 dias da criação.

7 são as notas musicais com 7 escalas , 7 pausas e 7 valores.

7 são as cores do Arco- Íris.

7 foram as pragas do Egito.

7 são os Arcanjos: Miguel, Jofiel, Samuel, Gabriel, Rafael, Uriel e Ezequiel,

O Pai Nosso e a Ave Maria são orações compostas cada uma delas, de 7 orações (frases).

7 são as Leis Universais: Natureza, Harmonia, Correspondência, Evolução, Polaridade, Manifestação e Amor.

7 são os dons do Espírito Santo: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade, Temor a Deus.

São 7 as glândulas endócrinas:Hipófise, Tireóide, Paratireoides, Supra-renais, Sexuais, Timo e Pâncreas.

São 7 os nossos chacras :Básico, Esplênico, Umbilical, Cardíaco, Laríngeo, Frontal e Coronário.

7 são os grandes mensageiros:Krisna, Buda, Lao-Tse, Confúcio, Zoroastro, Moisés e Jesus.

7 meios tem o homem para se tornar puro (segundo o Budismo): Domínio de si mesmo, Investigar a verdade, Energia, Alegria, Serenidade, Concentração e Magnanimidade.

7 são as Obras de Misericórdia Espiritual:Dar um Bom Conselho, Instruir os Menos Esclarecidos, Corrigir os que Erram, Consolar os Aflitos, Perdoar as Injúrias, Suportar Pacientemente as Fraquezas do Próximo e Rezar pelos vivos e Falecidos.

A Lua tem 4 fases de 7 dias cada.

E a lista segue...

Espero que tenham gostado, eu adorei ganhar o selinho, pensar em 7 coisas sobre a minha pessoa, escolher 7 blogs e pesquisar sobre o número 7.

Então só posso me despedir com 3 beijos + 4 abraços.

Quel